8 de julho de 2026
Jorge Luis Borges
7 de julho de 2024
A Velhice
Os idosos que não constituem uma força econômica não têm os meios para fazer valer seus direitos: o interesse dos exploradores é romper a solidariedade entre os trabalhadores e os improdutivos de maneira que estes últimos não sejam defendidos por ninguém. Os mitos e os clichês postos em circulação pelo pensamento burguês se esforçam para mostrar no idoso um outro. “É com adolescentes que duram um bom número de anos que a vida faz os idosos”, observa Proust; eles mantêm as qualidades e os defeitos do homem que continuam sendo. Isso, a opinião quer ignorar. Se os idosos manifestam os mesmos desejos, os mesmos sentimentos, as mesmas reivindicações que os jovens, eles escandalizam; em sua idade, o amor, o ciúme parecem odiosos ou ridículos, a sexualidade repugnante, a violência desdenhosa. Eles devem dar o exemplo de todas as virtudes. Antes de tudo, exige-se deles serenidade; afirma-se que eles a possuem, o que autoriza a desconsiderar sua infelicidade. A imagem sublimada que lhes é proposta de si mesmos é a do Sábio aureolado de cabelos brancos, rico em experiência e venerável, que domina de muito alto a condição humana; se se desviam dessa imagem, então caem abaixo: a imagem que se opõe à primeira é a do velho louco que delira e devaneia e de quem os filhos zombam. De qualquer forma, por sua virtude ou por sua abjeção, eles se situam fora da humanidade. Pode-se, então, sem escrúpulo, negar-lhes aquele mínimo que é julgado necessário para levar uma vida digna.
BEAUVOIR, Simone de, 1908-1986. A velhice. Tradução Maria Helena Franco. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018.
2 de novembro de 2022
O Artista
O artista romântico figura o porta-voz de uma verdade que ele é o único a poder transmitir. Sua valorização do sonho e do sobrenatural, seu gosto pelos grandes sentimentos e sua paixão pelo inútil opõem-se ao materialismo, ao positivismo e, sobretudo, ao utilitarismo social. Frequentemente incompreendido, marginal ou revoltado contra a antiga ordem, o artista romântico parece-se muito com o “eremita de Croisset”.
CASIN-PELLEGRINI, Catherine, Notas apud Flaubert, Gustave. Lettres à Louise Colet, Paris: Magnard, 2003, p. 161. (Tradução livre das autoras)
Notinha: O eremita de Croisset é Gustave Flaubert.
28 de outubro de 2022
Provérbio Irlandês
"Vassoura nova varre bem, mas vassoura velha conhece os cantos."
Seleções do Reader's Digest, out/1977,contracapa.
31 de agosto de 2021
Das tiranias
"Há uma tirania do progresso e um dogmatismo que, sob a bandeira da livre investigação, navega pelo mar do conhecimento. Toda réplica da tripulação é qualificada de rebeldia e castigada com a morte científica..."
STEKEL, Wilhelm. El querido ego. Buenos Aires:Imán, s.d.
30 de julho de 2021
Da conversação
"A conversação é mãe da polidez. Ela o é mesmo quando a polidez consiste em não conversar. Nada parece mais singular, mais contra natureza a um provinciano repentinamente chegado a Paris, que ver aí os ônibus cheios de pessoas que se abstêm, com cuidado, de falar entre si. O silêncio entre desconhecidos que se encontram parece, naturalmente, uma inconveniência, como o silêncio, entre pessoas que se conhecem, é um sinal de desarmonia. Todo camponês bem educado sente-se no dever de “fazer companhia” àqueles com quem ele caminha. Na realidade, não é que a necessidade da conversação seja mais forte nas pequenas cidades ou nos campos que nas grandes. Ao contrário, ela parece crescer na razão direta da densidade da população e do grau de civilização. Mas é precisamente por causa de sua intensidade nas grandes cidades que se estabeleceram aí diques contra o perigo de ser submerso sob ondas de palavras indiscretas."
Gabriel Tarde
9 de maio de 2021
Poesia
Como me sinto? Como se colocassem dois olhos sobre uma mesa e dissessem a mim, a mim que sou cego: isso é aquilo que vê, essa é a matéria que vê. Toco os dois olhos sobre a mesa, lisos, tépidos ainda, arrancaram há pouco, gelatinosos, mas não vejo o que vê. É assim o que sinto tentando materializar na narrativa a convulsão do meu espírito, desbocado e cruel, manchado de tinta, essas pardas escuras do não saber dizer, tento amputado conhecer o passo, cego conhecer a luz, ausente de braços tento te abraçar.
8 de maio de 2021
22 de novembro de 2020
Desespero
GUIMARÃES ROSA, João. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, p. 210
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O Homem Virtual
"O homem virtual, imóvel diante de seu computador, faz amor pela tela e dá seus cursos por teleconferência. Torna-se um paralítico físico, mas, sem dúvida, também cerebral. Só assim consegue ser operacional. Da mesma maneira que se pode prever que os óculos ou as lentes de contato um dia se tornarão próteses integradas de uma espécie na qual o olhar terá desaparecido, também se pode temer que a inteligência artificial e seus suportes técnicos se tornem a prótese de uma espécie na qual o pensamento terá desaparecido."
BAUDRILLARD, Jean. La transparencia del mal. Ensayo sobre los fenómenos extremos. Tradução de Joaquín Jordá. Barcelona: Anagrama, 1991, p. 173-4.
12 de novembro de 2020
Grande Sertão: Veredas
“Hoje, eu penso, o senhor sabe: acho que o sentir da gente
volteia, mas em certos modos, rodando em si mas por regras. O prazer muito vira
medo, o medo vai vira ódio, o ódio vira esses desesperos? – desespero é bom que
vire a maior tristeza, constante então para o um amor – quanta saudade... ; aí,
outra esperança já vem... Mas, a brasinha de tudo, é só o mesmo carvão só.
Invenção minha, que tiro por tino. Ah, o que eu prezava de ter era essa
instrução do senhor, que dá rumo para se estudar dessas matérias...”
GUIMARÃES ROSA, João. Grande
sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, p. 323.
11 de junho de 2020
Balzac, absolutamente
"As mulheres possuem um instinto que lhes permite adivinharem os homens que as amam pelo simples fato de usarem saias, que se sentem felizes junto delas e que nunca pensam em lhes pedir tolamente os juros de suas amabilidades. Têm, a esse repeito, o faro de um cão que, num grupo, vai diretamente ao homem para quem os animais são sagrados."
31 de outubro de 2018
21 de outubro de 2018
Esposa
Guy de Maupassant
19 de outubro de 2018
Altas inclinações
Théophile Gautier
12 de outubro de 2018
A Senhora Samoris, por Maupassant
"A Senhora Samoris é uma mulher da alta sociedade, e tem uma filha sem que saiba quem é o pai. Em todo caso, se não teve marido, tem amantes bastante discretamente, pois é recebida numa certa sociedade tolerante ou cega. 19 de setembro de 2018
Retalho da vidinha provinciana, por Maupassant
10 de setembro de 2018
Amor
LAGERKVIST, Pär. Le nain. Paris: Stock, 1946, p. 27.
22 de junho de 2018
Cinismo na benevolência
as cartas, que de há anos me são enviadas, como um cinismo: há
mais cinismo na benevolência para comigo do que em qualquer ódio..."
Friedrich Nietzsche





