30 de outubro de 2011

O que não fui

Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ser o que eu tivesse sido e não fui.
LISPECTOR, Clarisse. A Hora da Estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, 1a. ed., p. 21

24 de outubro de 2011

Por favor

23 de outubro de 2011

A ver navios

A foto está mais para as minhas Imagens Imaginadas, mas acabei postando aqui mesmo.

21 de outubro de 2011

Leitura

20 de outubro de 2011

Al di la

Reflexão

O problema verdadeiramente rodriguiano do óbvio é que ele nunca é ululante para todos (TOMASINI, 2011).

19 de outubro de 2011

Honestamente

18 de outubro de 2011

Decepção

É um desapontar-se, sim, só que mais fundo, e continuamente em movimento.

13 de outubro de 2011

Prazer

12 de outubro de 2011

Ousadias

Toda nova racionalidade traz consigo uma nova estética. O Bom, o Justo e o Belo, tão clássicos, ensejam hoje grandes discussões, relativizam-se, descompartimentam-se. Percebem-se fragmentos de um real que se abstrai. Tudo é muito relativo. Sei, inclusive esta relatividade toda.

9 de outubro de 2011

Panoptismo

Eis as medidas que se faziam necessárias, segundo um regulamento do fim do século XVII, quando se declarava a peste numa cidade. 1 Em primeiro lugar, um policiamento espacial estrito: fechamento, claro, da cidade e da «terra», proibição de sair sob pena de morte, fim de todos os animais errantes; divisão da cidade em quar­teirões diversos onde se estabelece o poder de um intendente. Cada rua é colocada sob a autoridade de um síndico; ele a vigia; se a deixar, será punido de morte. No dia designado, ordena-se a todos que se fechem em suas casas: proibido sair sob pena de morte. O próprio síndico vem fechar, por fora, a porta de cada casa; leva a chave, que entrega ao intendente de quarteirão; este a conserva até o fim da quarentena. Cada família terá feito suas provisões; mas para o vinho e o pão, se terá preparado entre a rua e o interior das casas pequenos canais de madeira, que permitem fazer chegar a cada um sua ração, sem que haja comunicação entre os fornecedores e os habitantes; para a carne, o peixe e as verduras, utilizam-se roldanas e cestas. Se for absolutamente necessário sair das casas, tal se fará por turnos, e evitando-se qualquer encontro. Só circulam os intendentes, os síndicos, os soldados da guarda e também entre as casas infectadas, de um cadáver ao outro, os «corvos», que tanto faz abandonar à morte: é «gente vil, que leva os doentes, enterra os mortos, limpa e faz muitos ofícios vis e abjetos». Espaço recortado, imóvel, fixado. Cada qual se prende a seu lugar. E caso de mexa, corre perigo de vida, por contágio ou punição. Archives militaires de Vicennes, in FOUCAULT, Michel, Vigiar e Punir. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010, p. 186.

8 de outubro de 2011

Deu na telha do homem


Só que estritamente à francesa.

7 de outubro de 2011

Liberdade

6 de outubro de 2011

A Explicitude do Gesto

5 de outubro de 2011

Odeie seu... anjo?

4 de outubro de 2011

Intrusos?

2 de outubro de 2011

Vidraça


São Paulo, centro, refletido numa das vidraças do Teatro Municipal.
O real pode ter a fragilidade de um reflexo, mas nem por isso é menos consistente. Descobrir que a fotografia pode deixar-se moldar com a mesma passividade de um pincel, quando submisso a um tema surrealista, me encanta, porque consigo dar realidade ao que nunca esteve lá, mas que nem por isso deixa de estar, inserida a imagem em algum lugar do passado, da história da cidade, e (des)inserida do meu olhar que, desligado desse real que está por aí em toda parte, insiste em manter-se míope ao que é simplesmente óbvio.

1 de outubro de 2011

Sem comentários

Coisas da Praça da República... Tinha que fotografar, ora. Se contasse, ninguém acreditava.