20 de março de 2009

Triunfo de Vênus

Este quadro chama-se Alegoria do Triunfo de Vênus e deve ter sido pintado por volta de 1540-5. Seu autor é Ângelo Bronzino. A obra pertence à National Gallery. Cada detalhe foi pintado com extremo cuidado, e não é incomum encontrarmos esses mesmos detalhes mostrados sem referência ao todo original, assim como ocorre muito comumente com o Ciúme, que aparece ao fundo, à esquerda, também identificado por alguns como o Arrependimento.
A mulher que domina a cena é Vênus, a deusa do amor, que beija cupido, seu filho, com lascívia, figurando o Incesto, tolerado entre os deuses e condenando entre os homens. Ela segura uma maçã, fruto que aqui representa o pomo da discórdia. Cupido corresponde ao beijo e toca o peito da mãe, passando de filho a amante. A figura do menino que espalha pétalas de rosas com ambas as mãos, parecendo dirigir-se ao casal, é uma personificação da Loucura. Observem que no tornozelo da criança há uma cascavel com a qual ela parece não se importar. Atrás deste menino-loucura, aparece uma linda menina com corpo de cobra e escorpião. Ela oferece um favo de mel, ao mesmo tempo em que esconde um ferrão. Esta linda menina representa o Engano. O Tempo aparece afastando a cortina que expõe a cena. O Esquecimento também aparece, faltando a parte de cima da cabeça, em disputa com o Tempo por causa da cortina. Pensam alguns que isso poderia significar o efeito retardado da sífilis que naquela época estava se espalhando. Daí a figura do ciúme também, neste quadro, ser identificada com a sífilis. Seja como for, o quadro é uma impressionante alegoria. A imagem que consegui para esta postagem está em alta resolução e pode ser ampliada com um clique do mouse.

Quem diria!

"Em todos os tempos e em quase todos os povos a castidade tem sido uma das virtudes mais eminentes, a que mais aproxima o homem da perfeição".

15 de março de 2009

Mania de Grandeza


8 de março de 2009

AS CARTAS XVIII

Carta de Francisco para Maria de 05 de outubro de 1924.

Maria,
Deu-me vontade de dizer-te qualquer coisa em verso, e aí vai, então, nada quase na velha forma do soneto.
Acordei criança hoje. Ao abrir os olhos ao esplendor da manhã, comoveu-me a sua beleza. Quase chorei de alegria. Ri, depois. Ri perdidamente, sem saber por que. Ri, porque o sol ria, porque a manhã ria, porque a natureza toda ria, na divina alegria do despertar. Os pássaros, nos ramos, cantavam a glória da alvorada. E o pouco de criança que nós trazemos n’alma sempre vibrou em mim com a intensidade e a pureza dos seus primeiros anos. Quisera ser sempre assim, toda vida! Rir, feliz, de tudo. Eterna criança a encontrar um motivo de prazer em tudo. Mas os anos vão avançando. Da criança descuidada que era, surge o homem com a fisionomia ensombrada pelos dissabores. A fatalidade da beleza, na forma da mulher, e as misérias humanas se lhe deparam com toda a sua força de ação consciente ou inconsciente. E a tristeza, então, lhe enruga a alma. E a alegria já lhe é mais esquiva. E, homem, aos golpes das desilusões, põe-se a descrer. Torna-se céptico. A vida é assim.
Grande saudade do teu
Francisco
V-X-MCMXXIV

Contradições

Queres que eu creia em ti? Pois bem, querida, eu creio.
E esta dúvida má, que me arrasta, e assassina
toda a minha alegria efêmera e divina,
eu matarei na fonte donde ela proveio.

Sei que me amas. Bem sei também que tens no seio
a luminosa flor de uma amizade fina
que faz minha ventura, e, entanto, me alucina,
pois de tanto em ti crer, eu já quase descreio.

Porém, mesmo escondendo o mal entre as raízes,
tu és o único bem da minha mocidade,
pois me tornaste o ser do mundo o mais feliz.

E eu creio em teu amor e creio no que dizes,
mas creio mais em tudo o que, por ser verdade,
por isso mesmo, a tua boca nunca diz...

Teimosia Masculina