31 de maio de 2012

Recado

Já disse Victor Hugo, e com razão, "Não imites nada nem ninguém. Um leão que copia um leão torna-se um macaco".

25 de maio de 2012

REVISTA VIDA BRASIL

A ESPERA
terça-feira, 29 de maio de 2012
Porto Alegre, Aeroporto Salgado Filho, 14 horas do dia 12 de junho de 2007. O painel confirmava a chegada do voo 2794 para daí a menos de duas horas. Seria o fim da espera de quase três anos para saber quem era o homem que me aparecera na caixa de entrada do outlook express naquela manhã de setembro, me chamando de "senhora professora". Metódica e organizada, ainda tenho a mensagem que foi escrita às 3h47mim do dia 03.09.2004. Alguém que estava lendo o que eu escrevi, e isso em plena madrugada.

Alguém que gostara do que lera e fizera questão de me dizer isso muito formalmente. Não pude deixar de responder, e a troca de mensagens prosseguiu. Misterioso a princípio, Júlio foi ganhando espaço.
“Como seria ver Júlio? Como será que ele me veria? O que iríamos sentir quando nos enxergássemos?”
Nossas conversas tornaram-se rotineiras. Falávamos sobre quase tudo: de livros, de nós mesmos, de nossas vidas que, de um jeito ou de outro, fomos deixando que se tornassem conhecidas. A possibilidade de um encontro nunca nos preocupou. Limitávamo-nos a uma virtualidade bem humorada. Trocamos centenas de mensagens ao longo de quase três anos. Hoje, contudo, eu não conseguia pensar em outra coisa que não fosse a sua chegada, e a grande confusão na qual me metera.
Vontade de conhecê-lo nunca me faltou, mas tratava-se de mera curiosidade e, confesso, um pouco de fantasia. Bobagem? Só sei que eu estava ali, em pleno aeroporto, aguardando a chegada de um desconhecido. Tinha medo, confesso. Sentia-me ridícula. Como seria aquele encontro? E se a gente não tivesse nada a ver? E se todo aquele imenso volume de e-mails representasse um grande vazio e um imperdoável desperdício de tempo? E se o tal sujeito me achasse interessante apenas por escrito? E se ele ficasse decepcionado comigo? E se fosse o contrário?  E se...
Para ser absolutamente sincera, eu tinha medo de conhecer o Professor Júlio, o paulista com quem troquei confidências durante tanto tempo, quase que diariamente. Temia que ele viesse a alterar a cuidadosa rotina da minha vida. Temia dar-me conta de que desperdiçara palavras, tempo, expectativa. Mais que isso: que expusera irremediavelmente a minha intimidade, caindo na tentação de pensar num homem do qual se possuem tão poucas referências, que podemos recheá-lo à vontade com as nossas mais extravagantes fantasias.

“Ele era meu amante virtual, e um dia teríamos um encontro ao estilo que Nélson Rodrigues reservava aos seus personagens mais cínicos.”

Eu gostava de imaginar o professor Júlio. Se vinha à baila a possibilidade de um encontro, eu evitava cuidadosamente o assunto. Era como se o homem real viesse a concorrer com o ideal que, afinal de contas, não atrapalhava em nada a minha vida. Ele ficava lá na caixa de entrada de e-mails que eu abria quando queria, respondendo ou não, conforme o meu dia, as minhas ocupações, o meu tempo. Gostava era de escrever para ele. Escrever para alguém, provocá-lo de brincadeira, tomando certas liberdades no texto, aludindo à existência de um tórrido romance virtual que nunca existiu de verdade! Era tão divertido falar de encontros dos quais sequer chegáramos a cogitar seriamente!
Júlio tinha para mim uma concretude toda feita de palavras, permissiva até demais em certos aspectos. Brincávamos de literatura. Ele era meu amante virtual, e um dia teríamos um encontro ao estilo que Nélson Rodrigues reservava aos seus personagens mais cínicos. Parece que, quanto menos isso tinha a ver comigo, mais tentador era criar esses panoramas: eu ia encontrá-lo em São Paulo, viveríamos um tórrido e alucinante romance num motel de quinta categoria, aonde eu seria abandonada por ele. Um cafajeste que, além de tudo, me batia a carteira.
Eu gostava de provocar e de ser provocada. Júlio era, para mim, uma presença inspiradora, embora virtual. Sempre pronto à réplica,surpreendia-me com mensagens muito bem humoradas, que durante todo esse tempo acabaram tornando a minha vida mais leve. Abrir a caixa de e-mails, e enxergar os dele dentre os demais, dava-me uma sensação de conforto, um tipo inexplicável de contentamento.
Com o tempo, conversávamos, ou melhor, escrevíamos muito sobre uma possível vinda dele ao sul, tudo para que ele pudesse completar o mapa do Brasil, fincando uma bandeirinha em miniatura na parte mais meridional deste país, a única região aonde ele ainda não realizara nenhuma façanha sexual. Costumava rematar a cantada, aludindo que eu seria então sua “primeira” gaúcha. Nada daquilo era realmente sério.
“Poderia estar à beira de protagonizar um desses contos pós-modernos, em que estranhos fazem de conta que existe alguma coisa entre eles, só para não encararem o fato de que foram vítimas da própria solidão.”
De longe, acompanhávamos a vida um do outro: alegrias, decepções, dificuldades, surpresas, problemas de saúde, tristezas. Criava-se entre nós uma inegável cumplicidade, porque, estando longe e não tendo, no fundo, nada a ver um com o outro, confessar fraquezas não fazia mal algum. As pequenas coisas do cotidiano eram registradas. Enfim, estávamos lá. Quando não havia nada a dizer, escrevíamos “tudo bem?”, e aguardávamos fases de reaquecimento das conversas que às vezes quase desapareciam, mas nunca por mais de vinte dias. Mesmo quando viajava, Júlio marcava presença no outlook da “sua gaúcha”, como ele me chamava.
E agora? Agora, dava-me conta de que, neste dia 12 de junho, dia dos namorados, o encontro teria lugar, irremediavelmente. Só me restava olhar o implacável quadro do aeroporto que anunciava a chegada do vôo 2497. Sem atrasos. Ele estaria diante de mim em menos de uma hora.
Por que isso? Tão bom do jeito que estava. Caminhava, pressionando a alça da bolsa de maneira a fazer com que minhas articulações ficassem à mostra. Ia de um lado para outro, sempre olhando para as letras luminosas do painel. Inexorável. Ele viria ao encontro marcado. Olhei para as minhas mãos e reparei que o esmalte lascara. Nenhum anel. Quis me sentar, mas não havia lugares. Contemplando as pessoas que me cercavam, notei olhares confiantes de quem espera por alguém que conhece.
E eu? Esperava por quem? Não sabia. Estava ali aguardando a chegada de um estranho, com o qual eu tivera o desatino de marcar um encontro na minha cidade. Eu, uma mulher de quase cinquenta anos, que mantinha um relacionamento sólido de vinte e tantos, marcara encontro com um homem de quase sessenta, pai de filhos adultos e legalmente casado há mais de trinta, supostamente, sob a inspiração de que, entre nós, tivesse lugar sei lá eu que diabo de química. Sentia a boca seca. As mãos cada vez mais úmidas e geladas. O coração aos saltos.

“Nunca escondi dele a minha situação de praticamente casada há mais de vinte anos. Júlio tampouco era menos comprometido que eu, até que, sem mais nem menos, separou-se.”
Prosseguia na minha caminhada de um lado ao outro do saguão do aeroporto, e morria de inveja de todas aquelas pessoas que tinham um bom motivo para estarem ali, que sabiam perfeitamente bem o que estavam fazendo. Eu não. Via-me como uma irracional. O que pensaria de mim aquela senhora de aparência tão branda, com ares de pessoa educada, equilibrada, sensata, que, na certa, esperava por filhos e netos? Ou aquela outra logo adiante, que parecia estar aguardando a chegada do marido ou do namorado. Adolescentes que se divertiam, rindo e brincando. Homens de terno e gravata que olhavam o relógio. Enfim, de louca de pedra naquele maldito Salgado Filho apenas eu.  Apertava a alça da bolsa com toda força, enquanto imaginava como aquela gente não estranharia o fato de que, entre eles, havia uma maluca, a esperar por um namorado inventado, por um desconhecido que jamais vira e que agora viajava mais de mil quilômetros para saber se estava ou não apaixonado por ela. Em resumo, se dentro de alguns minutos eu não estivesse por me tornar personagem de uma das sórdidas e depressivas historinhas de Nélson Rodrigues, poderia estar à beira de protagonizar um desses contos pós-modernos, em que estranhos fazem de conta que existe alguma coisa entre eles, só para não encararem o fato de que foram vítimas da própria solidão. Quem sabe? Palavras e algumas fotos era tudo o que tínhamos um do outro. O resto era imaginação, era fantasia. Mais nada.
Respirei fundo e olhei o relógio que insistia em andar cada vez mais vagarosamente, prolongando a minha ansiedade. Estava arrependida. Imaginava uma forma polida de me livrar daquele homem de uma vez por todas, de me livrar de mim mesma, de dar um jeito na besteira que fizera, levando a sério a possibilidade de um romance -coisa absurda! - que surgiria do nada, quando nossos olhares se encontrassem. Lamentava profundamente minha estupidez e me castigava internamente pelo desatino momentâneo que me levara a pedir a Júlio que visse me ver. Quanta cretinice!
Nunca escondi dele a minha situação de praticamente casada há mais de vinte anos. Júlio tampouco era menos comprometido que eu, até que, sem mais nem menos, separou-se. Recebi a notícia sem muita surpresa, apenas estranhando a atitude de a mulher deixar a própria casa. Pensei comigo que talvez o homem fosse uma verdadeira mala sem alça, para que nem mesmo a própria esposa, a titular, o agüentasse. Em regra, as mulheres ficam, e os homens vão embora. Só um motivo muito sério costuma fazer com que elas deixem o lar. Será que apanhava? Não parecia ser este o caso. Vai ver ela saiu, porque tem outro - pensei - um amante, um Ricardão. Ou será que ele passou alguma doença pra ela? Vai ver, andava sustentando a casa, enquanto o cara namorava pela internet.
“Júlio costumava fazer a maior propaganda de suas frequentes aventuras sexuais, sempre de caráter apaixonado, segundo ele, não deixando de acrescentar detalhes picantes às narrativas.”
Achei curiosa a partida dela, e não a dele, mas isso não era, todavia, problema meu. Casamento de mais trinta anos? Separar agora? Descalçar as pantufas? Para quê? Bobagem, pensei. Ora, depois de certa idade é uma grande idiotice imaginar que se pode ainda pretender grandes mudanças na vida, especialmente quando se tinha, - e esse me parecia ser o caso dele, - uma esposa voltada ao lar, e que costumava fechar os olhos às freqüentes escapadelas do marido. Chata? Mas todas as mulheres acabam por se tornar chatas depois de algum tempo. Não escapa nenhuma! Chata por chata, melhor aturar aquela que já se acostumou com as manias do sujeito. Trocar para quê? Pior: recentemente lhes havia nascido um neto, ora. E o raio do homem agora andando atrás de mim. Idiota que sou, pensava, caminhando pelo saguão.
Júlio costumava fazer a maior propaganda de suas frequentes aventuras sexuais, sempre de caráter apaixonado, segundo ele, não deixando de acrescentar detalhes picantes às narrativas. Eu lia aquilo entre curiosa e divertida, rindo muito dos detalhes literários que não poupavam sequer indicações precisas de tempo e lugar. Ele escrevia com admirável estilo. Talvez fosse tudo mentira, quem sabe? Qualquer um pode ser o que quiser no universo virtual.
Olhando para o painel, a confirmação exata do horário de chegada aparecia em caracteres vermelhos e luminosos. Não faltava muito. Procurava agora me manter menos tensa. Fui até o banheiro e retoquei a maquilagem, assustada com minha palidez refletida no espelho. Sim, estava pálida, formal, metida num terninho preto bem alinhado sem qualquer apelo. Era eu mesma ali. Nada interessante, se comparada à última aventura de meu interlocutor virtual, que recebera em casa uma amiga do casal que ali viera, - palavras dele, - hipotecar sua solidariedade no difícil momento da lamentável separação. Parece que prestara, porém, apoio irrestrito, protagonizando uma cena que quase me fez morrer de rir ao ler o e-mail, onde Júlio atribuía à mesa da cozinha uma utilidade inaudita, sem deixar de fazer alusão a alguns detalhes da anatomia da incauta.
Falávamos de tantas coisas. A diabetes, por exemplo, que o privara dos doces de que ele tanto gostava. Coisas da vida. Eu e meu enfisema. Às vezes pedia-lhe um ombro emprestado, e me queixava da vida, do trabalho, das coisas que não queriam dar certo. Outras vezes, festejava alguma alegria, contando para ele detalhes de uma descoberta, de uma nova amizade, de uma vitória ou do que havia encontrado de novo em algum dos vários cursos que fazia. Olhava-me no espelho criticamente. Um retoque na maquilagem dos olhos, um pouco mais de batom. Lavei bem as mãos e sequei-as o mais que pude para ver se aqueciam um pouco, apesar de nem estar frio ali.
Era tão bom ser a amiga virtual, a possível amante, a possível tudo. Eu não sei como, nem por que razão, havia mais ou menos dois meses que, de uma hora para outra, Júlio começara a tornar-se quase carinhoso comigo. Acho que foi logo depois da separação. Eu já nem lhe escrevia tanto quanto antes, mas ele insistia, escrevia sempre, mesmo quando eu não respondia. Fazia-se presente. Então pediu meu telefone, e eu dei, certa de que ele não ia telefonar. Ele telefonou, contudo. Muito antes do que eu esperava, ele ligou. Ligou naquela mesma noite e, sem pressa, conversou comigo, parecendo encantado em descobrir que minha voz não era estridente e aguda como a voz das baixinhas, - segundo ele, - costumava ser, mas de um timbre grave, acentuado pelo sotaque do sul. Resolveu, então, que se apaixonaria por mim, comunicando-me isso através do e-mail que me enviou na manhã seguinte.
Daí em diante tudo mudou. Não era mais o cara divertido que me escrevia, mas um homem que buscava uma mulher para estar na sua vida, e que dizia isto sem rodeios, sem simbolismos, simplesmente afirmando que me queria para ser a namorada dele, que se apaixonara pela minha voz, que vira meus retratos e me achara linda, e que tinha a mais absoluta convicção de que morreria de tesão por mim quando me encontrasse. Ou o homem enlouquecera, ou estava a fim de brincar comigo. Todavia, perder tempo com isso na idade dele? Que reação mais estranha após uma conversa de uma hora! Apaixonar-se por mim? Depois de tanto tempo, dar-se conta de que eu era a tal mulher que ele andava procurando? Francamente essa história não fazia o menor sentido. Era mesmo absurda, inusitada, surpreendente.
Aquilo tudo me deixou, é claro, profundamente desconfiada, mas, ao mesmo tempo em que esta desconfiança e perplexidade se impunham a mim, eu também não podia deixar de me sentir envolvida. Eram dezenas de e-mails todos os dias, declarações apaixonadas, mensagens de texto que eu recebia a toda hora pelo celular, telefonemas todas as noites. Um verdadeiro cerco se fechou ao meu redor, e eu não sabia mais se, afinal de contas, era brincadeira ou se realmente ele estava levando a sério aquela história de eu ser a sua namorada, a sua gaúcha, como ele dizia.
“Fora uma ou outra frase apimentada, todavia, nunca houve nada entre nós, “amantes virtuais” muito castos que apenas brincávamos com a possibilidade de, um dia, quem sabe, virmos a nos conhecer.”
Eu recebia todas aquelas homenagens sem forças para recusar. Seria como jogar fora flores novas que chegassem todo santo dia. Queria acreditar e, por isso, fingia que acreditava. E de tanto fingir que acreditava, acabei me acostumando à ideia. Obsessiva, sai do banheiro do aeroporto e olhei para o relógio do saguão que, praticamente, não se movera. Retomei as caminhadas pelos corredores do Salgado Filho, evitando observar as pessoas normais que ali estavam, agora em maior número, parece. Voltei a encontrar, então, o rumo dos meus pensamentos, e prossegui na análise do que poderia acontecer em breve, procurando respirar com calma naquele ambiente que se tornava cada vez menos real.
O que levaria um homem a investir num sentimento desses, envolvendo-se com uma desconhecida? Estaria brincando comigo? Não creio que cometesse tamanha e tão dispendiosa estupidez. Tudo começou por acaso mesmo. Júlio me escreveu apenas porque gostou de algo que escrevi a respeito de um autor que ele vinha pesquisando. Não estávamos, pois, nenhum dos dois, em busca de emoções virtuais. É claro que sua primeira mensagem me alegrou e me lisonjeou. Depois, agradável, bem humorado, de uma franqueza inigualável, Júlio era imbatível escrevendo. E penso que não havia assunto sobre o qual não trocássemos algumas palavras. Traficamos até mesmo traças pelo correio, presenteando-nos reciprocamente com livros antigos. Fora uma ou outra frase apimentada, todavia, nunca houve nada entre nós, “amantes virtuais” muito castos que apenas brincávamos com a possibilidade de, um dia, quem sabe, virmos a nos conhecer. Não era sério. Eram palavras. Mais nada.
E agora? Esta era a pergunta que me fazia a cada instante.
Agora não era mais uma brincadeira. Eu precipitei tudo. Não consegui mais viver com aquela perspectiva que se fazia presente a toda hora sem, contudo, que houvesse sequer um sinal físico, uma presença, um cheiro, um gosto que fosse da outra pessoa. Tudo me parecia muito irreal, muito abstrato, muito distante de mim.
Como seria ver Júlio? Como será que ele me veria? O que iríamos sentir quando nos enxergássemos?
O painel, indiferente às minhas especulações, acusava agora o pouso. O desembarque começaria logo a seguir. Ia descobrir tudo quando me visse abraçada por ele. Uma espera de três anos. Saberia o que havia para saber naquele instante apenas. E depois? Depois, ou o resto dessa história pouco importava. Seria simples consequência de alguma coisa sobre a qual eu não tinha, afinal, mais nenhum controle. Maktub.


Autor: Maristela Bleggi Tomasini

15 de maio de 2012

A Ironia



A ironia, seguramente, é moral demais para ser verdadeiramente artista, bem como demasiado cruel para ser verdadeiramente cômica. 
JANKÉLÉVITCH, V, L'ironie. Paris: Alcan, 1936, p. 1.

Encantador! Ele chega a analisar a relação da ironia com as alegorias, porque a ironia, de certa forma, é alegórica. É uma espécie de consciência. Ele vai à literatura. Fala da ironia de si, com Nietzsch. Vai além, e constrói um capítulo inteiro sobre as vítimas da ironia, aonde ele mesmo ironiza a figura do acrobata que erra o pulo. Fala da ilusão que, para ele, é como o bom senso: um pouco de lucidez a distancia, mas muita, conduz a ela. Livramo-nos dos nossos medos e, com eles, não se irão nossas esperanças? A ironia é um anestésico. O risco é ficar como o cardiopata a quem todas as fortes emoções são proibidas, especialmente aquelas que tornam a vida apaixonante.
Maior barato este livrinho que comprei hoje e que não me deixa trabalhar!  Deve ter ácaros, mas cheira a melhoral infantil, como os livros franceses em geral.
Que engraçado! Eu costumo dizer às vezes que não simpatizo muito com ironia. Não que eu não seja irônica. Não que eu não faça uso dela até mais frequentemente do que gostaria, quando não me dão outra saída. Até aqui nas Traças, aliás, já fiz muitas postagens que podem ser consideradas irônicas. 
Mas nunca fui muito com ironias, não. 
Agora acho este livrinho que me mostra o óbvio de modo divertido, só que, ironicamente falando, sem mergulhar na superficialidade.
Ah, sobre JANKÉLÉVITCH já há muita coisa no Google. Filho de russos, criado em Paris, agnóstico, músico, filósofo. Acho que era bonitão. No mínimo. E se não era, fica sendo.

12 de maio de 2012

Ei!


3 de maio de 2012

Segundo Maristela

O lado bom da fotografia, para pessoas levemente auto-referentes como eu, é essa reedição do mundo segundo as imagens que imaginamos. Desfrutar da ilusão que nos capacita a dotar cada pequeno pedacinho de mundo de uma idealidade que, talvez, já estivesse ali mesmo, adormecida. Teimosia e insistência, até que tudo em volta crie assim um brilho especial que ninguém pode acreditar que é apenas por acaso. 

2 de maio de 2012

Vida e Verdade

Creio que a verdade é perfeita para as matemáticas, a química, a filosofia, mas não para a vida. Na vida, a ilusão, a imaginação, o desejo, a esperança contam mais. Ernesto Sábato.



1 de maio de 2012

Tartaruga Bipolar

E fui euQfiz, sim.

É o bicho!