29 de abril de 2010

Coisas de Família

― Eh! Nunca se sabem ― disse Bianchon ― todas as tragédias que se desenvolvem nos bastidores do lar e que o público nunca desvenda... Acho a justiça humana incompetente para julgar os crimes entre esposos; ela tem direito a isso, como polícia, mas não entende nada do assunto em suas pretensões à equidade.
― Muitas vezes a vítima foi durante tanto tempo o carrasco ― respondeu ingenuamente a Sra. De La Baudraye ― que o crime às vezes pareceria perdoável se os acusados ousassem dizer tudo.
BALZAC, Honoré. A musa do Departamento. A Comédia Humana, Ed. Globo, 1951, vol. VI, pg. 345.

22 de abril de 2010

Top Blog


Bem, alguém que não sei quem é indicou este blog para o concurso. Ora, seja quem for, obrigada!

10 de abril de 2010

Imaginação

Imaginação querida, o que sobretudo amo em ti é não perdoares.
Só o que me exalta ainda é a única palavra, liberdade. Eu a considero
apropriada para manter, indefinidamente, o velho fanatismo humano. Atende, sem dúvida, à minha única aspiração legítima. Entre tantos infortúnios por nós herdados, deve-se admitir que a maior liberdade de espírito nos foi concedida. Devemos cuidar de não fazer mau uso dela. Reduzir a imaginação à servidão, fosse mesmo o caso de ganhar o que vulgarmente se chama a felicidade, é rejeitar o que haja, no fundo de si, de suprema justiça. Só a imaginação me dá contas do que pode ser, e é bastante para suspender por um instante a interdição terrível; é bastante também para que eu me entregue a ela, sem receio de me enganar ( como se fosse possível enganar-se mais ainda ). Onde começa ela a ficar nociva, e onde se detém a confiança do espírito? Para o espírito, a possibilidade de errar não é, antes, a contingência do bem?
Fica a loucura. “a loucura que é encarcerada”, como já se disse bem. Essa ou a outra... Todos sabem, com efeito, que os loucos não devem sua internação senão a um reduzido número de atos legalmente repreensíveis, e que, não houvesse estes atos, sua liberdade ( o que se vê de sua liberdade ) não poderia ser ameaçada. Que eles sejam, numa certa medida, vítimas de sua imaginação, concordo com isso, no sentido de que ela os impele à inobservância de certas regras, fora das quais o gênero se sente visado, o que cada um é pago para saber. Mas a profunda indiferença de que dão provas em relação às críticas que lhe fazemos, até mesmo quanto aos castigos que lhes são impostos, permite supor que eles colhem grande reconforto em sua imaginação e apreciam seu delírio o bastante para suportar que só para eles seja válido. E, de fato, alucinações, ilusões, etc. são fonte de gozo nada desprezível. A mais bem ordenada sensualidade encontra aí sua parte, e eu sei que passaria muitas noites a amansar essa mão bonita nas últimas páginas do livro. A Inteligência de Taine, se dedica a singulares malefícios. As confidências dos loucos, passaria minha vida a provocá-las. São pessoas de escrupulosa honestidade, cuja inocência só tem a minha como igual. Foi preciso Colombo partir com loucos para descobrir a América. E vejam como essa loucura cresceu, e durou.
Não é o medo da loucura que nos vai obrigar a hastear a meio-pau a bandeira da imaginação.
André Breton, 1924
Extraído do Manifesto do Surrealismo

Sampa

Copacabana 1933

Reflexão

Acho que as pessoas, pelo menos a maioria delas, fazem por merecer a si próprias. Mas daí até a gente precisar aturá-las, é outra história.

Beldades de Antigamente


Joan Marsh

Reclames de Antigamente

1 de abril de 2010

Dose dupla