30 de novembro de 2011

Representação

No fundo, a única coisa que temos são simples impressões sobre tudo. Daí eu gostar tanto de coisas assim, que nos levam a duvidar dos sentidos, do olhar, do tato, do gesto. De nós?

27 de novembro de 2011

Das ausências


Talvez não seja exatamente o que pensamos uma ausência. Há outros onipresentes a quem designamos um exílio emocional tão determinante que jamais se fazem presentes e, ainda que estejam por perto, sua ausência é sempre absoluta. Nascem mortos, ou se morrem, ou os matamos nós, dolosa ou culposamente. Outros dentre os outros são sempre esquecidos, porque nunca chegaram a ser lembrados, a não ser de modo fugidio e, não fossem agendas e lembretes, não tomavam existência nem corporeidade nunca. Até que se desejaria não os esquecer, até que se desejaria, por delicadeza ou complacência, lembrá-los mais vezes, só que, ainda assim, nos fogem, nos escapam, e nada deles deixa rastro de memória que nossa sensibilidade possa capturar, indiferentes que são. Muito iguais, nunca chegaram a tomar corpo e assim ficaram, para sempre fragmentados. Outros há, todavia, cuja presença é tão intensa que já fazem parte de nós, presentificam-se em nosso interior, ficam sempre ali e de tal forma, e com tamanha persistência, que viram um pouco outros eus da gente também. E, no fim, nos acostumamos com suas presenças que ausência alguma é capaz de esmorecer. Deixam de ser outro e passam a ser um pouco a gente mesmo. Ou a gente mesmo vira esse outro lá por dentro. O que não sei dizer é se isso é assim mesmo ou só impressão minha.

Metida que dói!

Fascinação

Esse meu fascínio por reflexos nasce da deliciosa sensação de realizar o absurdo, produzindo a imagem do que é pura ilusão. Não é preciso mais que uma poça d’água, um pingo de chuva atirado do céu bem naquela hora, um fio, a lua e as minhas mãos empunhando a câmera que realiza, no escuro, o milagre de apreender a luz que inunda o lado de fora de todas as coisas. O absurdo, com certeza. Que as coisas não são assim tão sistemáticas, tão sincrônicas, tão cansativamente racionais como tentam me fazer crer os grandes empreendedores de verdades.

26 de novembro de 2011

Boca do Lixo

Nas dúvidas...

25 de novembro de 2011

Retranca

24 de novembro de 2011

Que exagero!

23 de novembro de 2011

Politicamente falando

Lixo. Taí uma coisa que é preciso saber contornar. Ainda mais quando debaixo do tapete já não cabe mais nada.

20 de novembro de 2011

E quando as minhas asas

ficarem prontas, e fortes, e coloridas e poderosas,
então, quando as minhas asas enfim...
sem ponto algum...
que não haverá mais pontos nem maiúsculas

mas só infinitas reticências...

Mulher de Atenas

Lidas no borralho em versão Atenas. Nada de Fada madrinha, é verdade. Resultado entre o comível e o passável.

Mulher de Atenas

Em segunda edição da versão Mulher de Atenas, o "Bolo Primeira Vez Que Faço Isso". Não houve explosão na cozinha nem óbito após o consumo. Ao menos até agora.

19 de novembro de 2011

Rejeição

Tem palavras que expressam isso. Essa sensação de não poder entrar, de fronteira fechada, de ser preterido. Ilegal? Nem sempre é o que você faz, os atos que pratica. Muitas vezes esse carimbo cai sobre a sua pele, queima, dói e, quando cicatriza, deixa-se ficar ali, para lhe fazer sentir que ilegal é você que, sem convite, simplesemnte não entra na festa. Pode ficar, todavia, do lado de lá, olhando tudo pela janela, de onde os seus aplausos ou as suas vaias não vão fazer a menor diferença. Afinal, quem você pensa que é? Sabe com quem está falando? Existem 100.000 razões para deixar você de fora.

Da janela

Janelas que se abrem para fora; janelas que se fecham para dentro, que nem todas as paisagens são assim tão claras, tão compreensíveis. Algumas permanecem sempre nos perguntando o que são, nos pedindo um nome, uma identidade.

15 de novembro de 2011

Faz de conta

Brincavam de ser aquilo que eles seriam, se não fossem o que sempre foram. O sentido é esse mesmo: brincar de ser o que se seria, se não fosse qualquer coisa que acontece. Se não fosse o tempo, se não fossem as estações, se não fossem as desculpas esfarrapadas e as desculpas justificadas, e se não fosse o destino, a distância, a imensidão, as contingências, o correio, se não fossem os créditos somados e os descréditos subtraídos às respectivas vidas, se não fossem as chuvas em São Paulo, o Lula, o terrorismo, o Guaíba, a Rua da Praia, a 25 de Março e a 7 de Setembro, as traças, os livros, os ácaros, eles e elas, os outros, os daqui, os dali e os de lá, todos formando uma imensa Cia.

13 de novembro de 2011

Verbo feito carne

E me virás como? Singular ou todo cheio de plurais, a desafiar-me as mágoas, como quem espreita minha intimidade? Não sei. Apenas estarei lá, fugindo ao óbvio que nos ameaça, recomeçando o final, desde o princípio, quando éramos apenas o verbo. Este, uma vez carne, conheceu então a dor e o silêncio.

12 de novembro de 2011

14 de novembro

Contagem regressiva.

11 de novembro de 2011

Acontece que

10 de novembro de 2011

Eu e José Bonifácio

6 de novembro de 2011

Justificativas & Justificações

Pela literatura, penso eu, justifica-se o mundo criando o novo, na pureza do imaginário, e, ao mesmo tempo, salva-se a própria existência; ter filhos é aumentar inutilmente o número de seres sobre a terra, sem justificação. BEAUVOIR, Simone, La force del age, Paris: Gallimard, 1960, p. 83.

Primeira leitura

"A beleza de uma obra aparece sempre mal na primeira leitura. É preciso, na juventude, andar entre os livros como se vai pelo mundo para nele procurar amigos, mas esses amigos, encontrados, escolhidos, adotados, é preciso fazer deles um retiro. Ser familiar de Montaigne, de Saint-Simon, de Retz, de Balzac ou de Proust basta para enriquecer uma vida." MAUROIS, Andre, Arte de viver, trad. Odilo Costa, Filho e Álvaro Costa. Rio deJaneiro: Casa Editora Vecchi Ltda, 3a. ed, s/data, pag. 108, 109.

5 de novembro de 2011

Reclames de Antigamente

4 de novembro de 2011

História

Releitura

Descobri que gosto de me reler de vez em quando. Estava folheando essas páginas, brincando com o cursor para cima e para baixo, e me relia. Tentava lembrar-me de como era eu mesma antes de ontem. De como os dias passam e do quanto de nós fica pelas passagens. E pensava nessas mesmas passagens, que são largas, estreitas, escuras, claras, de todo jeito, e que também são lentas, podem ser rápidas, por vezes tormentosas, a vida levando a gente de arrasto. Passa, amanhece, os arranhões dão conta de que ontem foi ontem, e que ontens talvez se escondam nos nossos amanhãs. A vida deve ser feita de corredores e de relógios, de tensões e de acontecimentos. O que não se sabe bem é quando é para sempre ou para nunca mais.

2 de novembro de 2011

Reclames de Antigamente