Tanto tempo depois de te encontrar e fotografar, onde estarás? Pelas ruas de uma cidade sempre envolta em nevoeiros, numa escala de cinzas e agora de saudades, revejo esta imagem e me perco no teu olhar, que oscila entre a meiguice, a curiosidade e o receio. Nunca te esqueci. Em que pese a brevidade do nosso encontro, do instante fugidio da fotografia, sempre serás o meu cachorro preto de Paranapiacaba, hoje tão distante, tão nunca mais. Só posso esperar que tenhas encontrado em teu caminho um tanto dessa generosidade que os humanos, às vezes, são capazes de dispensar e da qual, tu e os teus, são tão ricos e tão pródigos.
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28 de março de 2018
31 de dezembro de 2017
Saudade do Gordo
Ele era desengonçado. Também não cheirava muito bem, mesmo quando, contrariado, tomava banho no tanque. Guloso, pensava em comida o tempo todo, assim como pensava em sair e passear. Gostava tanto de andar de automóvel que, se via um desconhecido qualquer abrir a porta do carro... entrava e sentava no banco da frente, esperando pelo passeio. Uma briga tirá-lo de dentro, desculpar-se. Enfim, era o Gordo. Amigo, carinhoso, incapaz de fazer o mal aos tais cerumanos.
Tanto tempo, Gordo, tanto tempo. Convivemos pouco, é verdade. Mas ele se lembrava de mim, festejava-me, chorava e uivava escandalosamente. Era uma festa. Gordo, que saudade de você! De seu amor desinteressado e puro. Gordo, nunca mais.
Tanto tempo, Gordo, tanto tempo. Convivemos pouco, é verdade. Mas ele se lembrava de mim, festejava-me, chorava e uivava escandalosamente. Era uma festa. Gordo, que saudade de você! De seu amor desinteressado e puro. Gordo, nunca mais.
11 de abril de 2015
7 de janeiro de 2015
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