"J'étais née avec les plus hautes inclinations; mais rien ne déprave comme de ne pas être aimée."
Théophile Gautier
19 de outubro de 2018
17 de outubro de 2018
12 de outubro de 2018
A Senhora Samoris, por Maupassant
"A Senhora Samoris é uma mulher da alta sociedade, e tem uma filha sem que saiba quem é o pai. Em todo caso, se não teve marido, tem amantes bastante discretamente, pois é recebida numa certa sociedade tolerante ou cega.
Frequenta a igreja, recebe os sacramentos recolhidamente, mas de forma a que os outros saibam, e jamais se compromete. Espera que sua filha faça um bom casamento. É isso?
― É, mas eu completo o seus dados: é uma mulher experimentada, que se faz respeitar por seus amantes mais do que se não dormisse com eles. É um mérito raro, porque dessa forma se obtém o que se quiser de um homem. Aquele que ela escolhe, sem que ele saiba, faz-lhe a corte durante muito tempo, deseja-a com temor, solicita-a com pudor, obtém-na com assombro e a possui com consideração. Nem percebe que a paga, tal o tato que ela usa; e de dignidade, de decência, que, saindo de sua cama, ele esbofetearia o homem capaz de suspeitar da virtude de sua amante. E isso com a maior boa fé do mundo."
MAUPASSANT, Guy de. Obras de Guy de Maupassant. A Baronesa. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1953, XI v., p. 62/63.
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Ando relendo Maupassant e, como sempre, reler é redescobrir sutilezas. Sua obra nos presenteia com retratos de uma precisão que impressiona, ainda mais quando nos damos conta de que são generalizáveis, a ponto de termos todos a impressão de que conhecemos a Senhora Samoris, quando não, no que ela tem de sonsa. Porque só uma verdadeira sonsa pode inspirar temor no desejo, pudor na súplica, assombro na conquista e consideração na posse. E, se aquele que é admitido em sua intimidade nem percebe que a paga, eis que temos aí revelado, em poucas palavras, o poder de manipulação que permeia questões de gênero que, para serem bem analisadas, requerem muito mais do que a boçalidade do senso comum.
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5 de outubro de 2018
A propósito
A saudade é azul, mas eu não sei por que razão. Razão não há. Mas há saudade. Uma falta triste, mas que é iluminada de azul. Uma solidão bem assim: azul e rabiscada aqui e ali.2 de outubro de 2018
Reclames de Antigamente
29 de setembro de 2018
Martirológio
O livro é de 1864 e
foi editado na França. Trata-se do segundo volume de Vies des saints avec le martyrologe romain et
réflexions morales en forme de lecture de piété pour chaque jour de l’année. Traduzindo: Vidas dos santos com o martirólogo romano e reflexões morais em forma
de leitura de piedade para cada dia do ano. A obra foi aprovada pelo bispado, e é de
autoria do Abade Caillet, antigo professor do Seminário de Langres. Esse
segundo volume, com suas 679 páginas, é dedicado aos mártires cristãos que
marcam cada dia do calendário dos meses de abril, maio e junho. Naturalmente
inencontráveis os outros, pela lógica, três volumes. É possível consultá-lo
como a um calendário, mas sempre é tentador abri-lo ao acaso, e realizar
leituras edificantes, ― por que não? ― que podem cobrir pelo menos um trimestre
do ano.
19 de setembro de 2018
Retalho da vidinha provinciana, por Maupassant
"Dificilmente o teria reconhecido. Aparentava pelo menos 45 anos e, num segundo, reconheci os sinais da vida provinciana, que engorda, brutaliza e envelhece. Com um rápido pensamento, mais rápido do que meu gesto ao estender-lhe a mão, conheci sua existência, sua maneira de ser, seu gênero de espírito e suas teorias sobre o mundo. Adivinhei as refeições demoradas que lhe tinham arredondado o ventre, as sonolências depois do almoço, o torpor de uma digestão pesada regada a conhaque e os vagos olhares atirados sobre os doentes, com pensamento na galinha assada girando no espeto. Suas conversas sobre a cozinha, sobre o conhaque, a aguardente e o vinho, sobre a maneira de fazer certos pratos e de bem ligar certos molhos me foram reveladas apenas ao olhar para as suas faces vermelhas e empastadas, a grossura de seus lábios, o brilho morno dos seus olhos."
MAUPASSANT, Guy de. Obras de Guy de Maupassant. O vestal da Senhora Husson. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1953, XI v., p. 12.
16 de setembro de 2018
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