26 de julho de 2026

Naturalmente

Desde que me livrei dos vasos onde viviam as plantas que eu deixava na sacada, sumiram os insetos — com exceção de uma borboleta que chegou não sei de onde há algumas semanas. A providência — o radical livramento de vasos e vasinhos — poupou-me do lixo que o vento acumulava nos pratos e nas estantes.

Cansada de limpar a terra, as folhas e a poeira grossa que se acumulavam com espantosa velocidade nos cantos menos acessíveis daquele jardim improvisado, dei cabo de tudo. Cada vez que eu abria a porta, vinha mais sujeira para dentro de casa, e uma casa cheia de livros teme a poeira. Como não tenho muita força para serviços pesados, e como ficava cada vez mais difícil dar conta de tudo, fui me livrando dos vasos, das plantas. Até que a última delas partiu.

Estava mesmo quase morta, a pobre planta. Cogitei de saudades, mas isso só serviu para que eu me punisse por mais essa disfuncionalidade da qual padeço, e que deforma o mundo até que ele caiba em mim. Ou eu nele. Não decidi ainda essa questão de grandezas.

Hoje minha sacada está vazia, mas limpa. E, quando o vento traz da rua a poeira e qualquer coisa que possa voar com ele, nada mais se prende na pequena área que hoje cerca um espaço vazio.

Não, nenhuma novidade nisso. Mas sinalo a perda.

Porque gostava de encontrar, entre as folhas, um ou outro bichinho, sempre belo quando visto de perto. Não raramente encontrava algum e corria em busca de uma câmera melhor que a do celular. Fotografava então a criatura que crescia diante de meus olhos, graças ao zoom que ampliava seus detalhes caprichosos.

Perdia com isso algum tempo e, naturalmente, culpava-me. Naturalmente. Porque não se deve perder tempo fotografando insetos. Porque isso é o tipo de desperdício de recursos com coisas das quais ninguém quer saber. Alinho os argumentos críticos que me vêm à mente.

Depois sorrio e penso que talvez seja hora de refazer o jardim e recepcionar os insetos.