20 de julho de 2026

Depende da perspectiva

Sim, relativizar conforme a perspectiva. Uma forma de atravessar certas coisas sem se deixar capturar inteiramente por elas. Alterar o foco. Inverter a ordem. Mudar a lente. Fazer a egípcia; ou abstrair e fingir demência, como dizem. Porque a percepção pode ser fugaz como um flash.

Relativizar é um modo de lidar com aquilo que nos chega com ares de absoluto. Porque, afinal, depende. Até o absoluto? Por que não? O absoluto também bem poderia depender desta chuva de agora, deste vento que sossegou, do foco da minha lente que busca o parapeito da sacada que flutua, não obstante os alicerces, não obstante a construção.

O absoluto, por mim, pode depender da lente, do lugar e do não lugar. De estar acima ou abaixo, por cima ou por baixo. De onde se olha e de como se olha.

Talvez tudo seja relativo à perspectiva. Ou quase tudo.

Porque há algo que insiste.

Esse meu estar aí, por exemplo, faz-se tão absolutamente relativo a ponto de simular o único absoluto possível ― aquele que mora no fundo de mim mesma, onde há mistérios e banalidades.

Eu.

Pura intuição.