17 de dezembro de 2024

Entre palavras & silêncios

Entre o dito e o não dito vai uma diferença que se projeta no tempo. Porque, caso dito, cabe argumentar com o clássico bem que eu te avisei; e, caso não dito, finge-se surpresa e argumenta-se com outro clássico do tipo eu jamais poderia imaginar. Enfim, sociabilidades e sensibilidades. Boa parte da construção social pauta-se em conversas, que têm ditos e não ditos, com certeza. Entre palavras e silêncios, constroem-se esses grandes vazios semânticos que soam muito alto, por conta do eco. Desde não sei precisamente quando, falar tornou-se um risco, porquanto passamos a ser responsáveis pelo sentido e pela interpretação dada pelo outro à nossa fala. Não raramente, há terceiros que, por alguma razão obscura, se inserem no contexto e reclamam. De certa forma, isso transtornou os discursos e abriu margem a comentários que se sobrepõem, palpiteiros e palpitantes. Ora é a cor do vestido, ora é o comprimento do cabelo, e isso para ficar na superficialidade. De fato, as sensibilidades mudaram, retiraram-se de certas zonas antes muito sensíveis, como aquela pautada pelos chamados bons costumes, para se concentrar na mais pura subjetividade.

Palavras e silêncios impactam. É preciso habilidade para navegar entre os espaços comunicativos, evitando mal-entendidos e buscando, quando possível, conexões reais e autênticas.

Imagem criada com IA

16 de dezembro de 2024

Impressão minha

 


Atenta aos silêncios, aguardo o chamado das vozes daqueles que me habitam. Na vento que move a cortina, no delicado passo do gato que, do telhado, espreita a cozinha, na dobradiça da porta que desafina em si, penso ouvir o chamado. Mas não. Foi só uma impressão minha.

10 de dezembro de 2024

Velhice


Naturalmente, a velhice é um fato biológico. Apesar dessa fatalidade, a velhice é também uma construção social. Culturalmente, então, o processo do envelhecimento é interpretado a partir de valorações distintas acerca de quem é o velho: esse ser que se presta a tantos estereótipos, seja para ser rejeitado e excluído, desprezado e mesmo hostilizado. A questão mais interessante que a velhice coloca é o fato de ela não ser uma escolha nossa. Ao contrário: são os outros que nos conferem essa condição a partir de certo limiar. Desde então, queiramos ou não, os olhares que atraímos passam a ser outros, como outros passam a ser também os lugares que ocupamos. Envelhecer tem muito de dramático, mas tem também muito de ridículo. Lidar com isso, todavia, é uma decisão muito pessoal. Particularmente, procuro capitalizar socialmente essa condição: afinal, posso furar a fila e dizer palavrões que, na boca de uma criança, de uma adolescente ou de uma jovem, seriam inapropriados. Também posso pensar com mais liberdade. Se o corpo me constrange, porque toda força deve ser conquistada laboriosamente com pesos e exercícios; se a visão embaralha as letras dos meus amados livros, de sorte que não posso mais ficar impunemente longe dos meus óculos; se partes de mim teimam em não me obedecer, percebo que muitas coisas que eu não percebia agora me aparecem muito claramente, e não é raro que eu esteja sempre, ou quase sempre, duas jogadas à frente de certos propósitos e intenções. A juventude é transparente; a maturidade de alguns é sombria em suas ambições. Os olhares e as palavras não escondem mais nada de quem aprendeu a negociar com o tempo no mercado das perdas e danos, dos lucros cessantes. Porque o tempo é realmente um luxo, e não há luxo maior do que investir nele. Afinal, seres brutos se extinguem no espaço e seres vivos, no tempo. E quanto ao resto: foda-se.

Imagem criada com IA

7 de dezembro de 2024

Egocentrismo

 Sábado: noite com coca zero, sossego e minha agradável companhia.

1 de dezembro de 2024

22 de novembro de 2024

Inércia

 

Quanto tempo sem escrever. Semanas. Dias ocupados e noites insones. Horas lentas. O ar escasso, o corpo exausto. Opressão. E o tempo tão denso, compacto, pesado. Comigo, este meu eu que é alheio a tudo, consciente de si e de mim no vazio do outro. Na outra via, a expectativa. Experimentar a agonia do ar que se rarefaz e da exaustão que reduz a consciência ao limiar de um sono que não vem. O corpo entregue à inércia, impotente diante da gravidade. Os segundos são minutos e os minutos são horas. Ancoragem permanente no presente. Nos clarões de uma consciência que não é plena, memórias abruptas que me distraem por pouco tempo. Ao lado, os livros. Em frente, o relógio. Fatalidade. Conformidade. A seu modo, alívio afinal.

20 de outubro de 2024

É punk, ora!

Mas o que é ser punk? Bem, há uma ideologia no fundo disso tudo: anarquia, provocação, contestação, antiautoritaríssimo, rebeldia e outras coisas que você queira incluir aí. É um movimento artístico e cultural que apareceu no final da década de 1970 na Inglaterra. Ele inclui rock de batida rápida, que toca alto e que protesta em face do que for convencional, tatuagens, piercings, cabelos coloridos e cortes ousados. O vestuário é pura resistência: jaquetas de couro com tachas, camisetas de bandas geralmente slogans provocativos, arte gráfica impactante, calças rasgadas e até sapatos de bico de aço. Enfim, tudo o que comunica uma postura crítica. Na música, bandas como os Sex Pistols e The Clash, que não apenas definiram o som punk, como também se tornaram símbolos de uma geração que se opunha à autoridade. Se você quiser, pode conferir, ouvindo "Anarchy in the U.K." e "London Calling", verdadeiros hinos de rebeldia e contestação. O punk também se espalhou para outros estilos, como o hardcore, com bandas como Minor Threat e Bad Brains, que trazem uma intensidade ainda maior e letras que abordam questões sociais e políticas. Mais que um estilo, ser punk é quase um estilo de vida que valoriza autenticidade, a liberdade de expressão e a resistência contra a conformidade. Gostando ou não, ele está aí. E a minha ilustração, afinal, até que ficou bem interessante.

17 de outubro de 2024

Espera

Não há muito o que dizer. Talvez haja, mas não aqui, não agora, não desse jeito. Para dizer é preciso minimamente compreender e eu não quero disso uma compreensão verbal, gramatical, linguística. Talvez... talvez uma compreensão gráfica. Por que não Vermeer por mim mesma? A mulher que espia pela janela. A mulher jovem com um jarro d'água. Na domesticidade da cena, me coloco do outro lado e imagino por que ou por quem ela espera. Não sei. Mas é quase certo que ela espera. E você?

12 de outubro de 2024

9 de outubro de 2024

AMORETOS & AMARETOS

"Amoretos & Amaretos" é a celebração de pequenas coisas da vida, dos instantes roubados às rotinas. Retalhos, sementes, conchas, pedras encontradas pelo caminho e colocadas em saquinhos caprichosamente feitos à mão, cada um único e especial. Neste livro, você encontrará imagens inspirados nesses mimos singulares que carregam consigo o encanto do acaso. Meus "amoretos" te convidam a apreciar o valor das pequenas inutilidades que enchem nossa vida de magia e de poesia. Inspire-se! Boa leitura!