20 de janeiro de 2025

O Bom Entendedor

 Escrever é mágico, transformador. É difícil, porque as opções são abundantes e a dúvida, então, se faz onipresente. Que palavra usar? Que termos empregar? Que fazer quando as palavras escasseiam e os sentidos se multiplicam? Polissemias, sim; e, sempre, os silêncios. Se escrever é mágico, sempre haverá espaço para as invisibilidades, os não-ditos, o impensado que não se alinha, porque se entrelinha, à espera do bom entendedor: você.

16 de janeiro de 2025

Cada dia

 Cada dia tem seu tempo, precioso tempo. Inestimável investimento que podemos despender com prodigalidade, quando adquirimos novas palavras, novas perspectivas, quando testamos novas receitas, descobrindo novos sabores, quando escrevemos o que nunca escrevêramos, definindo, desde agora, nosso passado como alguma coisa mais que perfeita.

13 de janeiro de 2025

Rentabilidade

 Há dias que parecem render. Não que se tratem de rendimentos no sentido mais preciso da palavra. Ainda assim, rendimentos, porque me refiro ao tempo. Horas que uso para transformar tempo em bem-estar. Investir em pequenas, mas significativas, melhoras do meu entorno. Um minuto dedicado a caprichar um pouco mais no jantar, uma hora dedicada a aprofundar um pouco mais a superficialidade de um estudo. E até algum tempo para vir aqui e dizer isso para você.

5 de janeiro de 2025

Em Férias

 


Feriados? Férias? Eu? Não. Não exatamente. Ao menos não no sentido comum do termo, com praia, comida, bebida e outros excessos deprimentes e desgastantes. Sim, eu sei que muita gente gosta de socializar. São heróis incansáveis e pacientes dos quais admiro a coragem. São estoicos. Nem Jó! Durante anos, algumas relações sociais que mantive foram determinantes para que eu também me visse obrigada a socializar em dias feriados. Noblesse oblige. Sim, tive Natais e Anos Novos bastante protocolares, com direito a Papai Noel, espumante e outros clichês ritualísticos, mas, intimamente, sempre percebi aquilo como artificial, mesmo quando criança. Com o tempo, veio a liberdade, com a conquista da autodeterminação. De fato, ter tempo para cultivar a solidão é um luxo, e eu posso, sim, impunemente, desperdiçá-lo à vontade, preparando comidas simples e deliciosas, bebendo Coca Zero em copiosas quantidades, ouvindo música bem alto e até escrevendo coisas como esta, só para você.

Imagem: criada por IA a partir do texto.

17 de dezembro de 2024

Entre palavras & silêncios

Entre o dito e o não dito vai uma diferença que se projeta no tempo. Porque, caso dito, cabe argumentar com o clássico bem que eu te avisei; e, caso não dito, finge-se surpresa e argumenta-se com outro clássico do tipo eu jamais poderia imaginar. Enfim, sociabilidades e sensibilidades. Boa parte da construção social pauta-se em conversas, que têm ditos e não ditos, com certeza. Entre palavras e silêncios, constroem-se esses grandes vazios semânticos que soam muito alto, por conta do eco. Desde não sei precisamente quando, falar tornou-se um risco, porquanto passamos a ser responsáveis pelo sentido e pela interpretação dada pelo outro à nossa fala. Não raramente, há terceiros que, por alguma razão obscura, se inserem no contexto e reclamam. De certa forma, isso transtornou os discursos e abriu margem a comentários que se sobrepõem, palpiteiros e palpitantes. Ora é a cor do vestido, ora é o comprimento do cabelo, e isso para ficar na superficialidade. De fato, as sensibilidades mudaram, retiraram-se de certas zonas antes muito sensíveis, como aquela pautada pelos chamados bons costumes, para se concentrar na mais pura subjetividade.

Palavras e silêncios impactam. É preciso habilidade para navegar entre os espaços comunicativos, evitando mal-entendidos e buscando, quando possível, conexões reais e autênticas.

Imagem criada com IA

16 de dezembro de 2024

Impressão minha

 


Atenta aos silêncios, aguardo o chamado das vozes daqueles que me habitam. Na vento que move a cortina, no delicado passo do gato que, do telhado, espreita a cozinha, na dobradiça da porta que desafina em si, penso ouvir o chamado. Mas não. Foi só uma impressão minha.

10 de dezembro de 2024

Velhice


Naturalmente, a velhice é um fato biológico. Apesar dessa fatalidade, a velhice é também uma construção social. Culturalmente, então, o processo do envelhecimento é interpretado a partir de valorações distintas acerca de quem é o velho: esse ser que se presta a tantos estereótipos, seja para ser rejeitado e excluído, desprezado e mesmo hostilizado. A questão mais interessante que a velhice coloca é o fato de ela não ser uma escolha nossa. Ao contrário: são os outros que nos conferem essa condição a partir de certo limiar. Desde então, queiramos ou não, os olhares que atraímos passam a ser outros, como outros passam a ser também os lugares que ocupamos. Envelhecer tem muito de dramático, mas tem também muito de ridículo. Lidar com isso, todavia, é uma decisão muito pessoal. Particularmente, procuro capitalizar socialmente essa condição: afinal, posso furar a fila e dizer palavrões que, na boca de uma criança, de uma adolescente ou de uma jovem, seriam inapropriados. Também posso pensar com mais liberdade. Se o corpo me constrange, porque toda força deve ser conquistada laboriosamente com pesos e exercícios; se a visão embaralha as letras dos meus amados livros, de sorte que não posso mais ficar impunemente longe dos meus óculos; se partes de mim teimam em não me obedecer, percebo que muitas coisas que eu não percebia agora me aparecem muito claramente, e não é raro que eu esteja sempre, ou quase sempre, duas jogadas à frente de certos propósitos e intenções. A juventude é transparente; a maturidade de alguns é sombria em suas ambições. Os olhares e as palavras não escondem mais nada de quem aprendeu a negociar com o tempo no mercado das perdas e danos, dos lucros cessantes. Porque o tempo é realmente um luxo, e não há luxo maior do que investir nele. Afinal, seres brutos se extinguem no espaço e seres vivos, no tempo. E quanto ao resto: foda-se.

Imagem criada com IA

7 de dezembro de 2024

Egocentrismo

 Sábado: noite com coca zero, sossego e minha agradável companhia.

1 de dezembro de 2024

22 de novembro de 2024

Inércia

 

Quanto tempo sem escrever. Semanas. Dias ocupados e noites insones. Horas lentas. O ar escasso, o corpo exausto. Opressão. E o tempo tão denso, compacto, pesado. Comigo, este meu eu que é alheio a tudo, consciente de si e de mim no vazio do outro. Na outra via, a expectativa. Experimentar a agonia do ar que se rarefaz e da exaustão que reduz a consciência ao limiar de um sono que não vem. O corpo entregue à inércia, impotente diante da gravidade. Os segundos são minutos e os minutos são horas. Ancoragem permanente no presente. Nos clarões de uma consciência que não é plena, memórias abruptas que me distraem por pouco tempo. Ao lado, os livros. Em frente, o relógio. Fatalidade. Conformidade. A seu modo, alívio afinal.