28 de fevereiro de 2010

Caffè espresso

Onde há caffè espresso há vida inteligente.

26 de fevereiro de 2010

O Inimigo e o Mal

"A noção de inimigo da humanidade é efetivamente uma contradição em termos, dado que, por definição, a humanidade não pode ter inimigos entre os humanos. É por causa disso que as guerras em nome da humanidade resultam indubitavelmente na negação da qualidade de ser humano ao inimigo: bater-se em nome da humanidade leva necessariamente a por os seus inimigos fora da humanidade. Ora, contra aquele que foi posto fora da humanidade, tudo se torna permitido. Desde logo, o inimigo desta não é mais um simples adversário do momento, que poderia de igual forma transformar-se amanhã em aliado, mas uma figura do Mal, um «inimigo do gênero humano», um criminoso a punir, podendo ser empregados todos os meios que permitam subjugá-lo. (...) Combater em nome da humanidade significa, de fato, colocarmo-nos em posição de decretar quem é humano e quem não o é. Tal é o paradoxo: todo o discurso que pretende apagar as fronteiras entre os homens para estender a noção de «nós» à totalidade da espécie humana resulta na recriação, no próprio seio da humanidade, de uma linha de fractura e de exclusão mais radical do que as outras. «Com efeito, não é senão com o homem entendido como humanidade absoluta que surge o inverso desse mesmo conceito, o seu novo inimigo específico, o homem inumano (Unmensch)» escreve Schmitt. A guerra em nome da moral é, pois, o exemplo acabado da guerra mais inumana. O universalismo abstrato faz dos adversários inimigos absolutos e transforma as guerras «humanitárias» em guerras de extermínio."

Alain de Benoist in «Guerra Justa, Terrorismo, Estado de Urgência e Nomos da Terra - A actualidade de Carl Schmitt», Antagonista (2009), citado em http://infoinconformista.blogspot.com/

Flaubert

"O futuro tortura-nos, e o passado acorrenta-nos. Eis porque o presente nos foge."

4 de fevereiro de 2010

Provérbio Árabe

Quem não compreende um olhar, não compreenderá melhor uma explicação.

24 de janeiro de 2010

Mata-Hari

Usando as roupas com as quais se apresentava para dançar "A Princesa e a Flor".

Estranheza


Quanto mais o tempo passa, e ele passa, inexoravelmente, mais eu desconheço o que já me pareceu tão íntimo. Vão se perdendo noções, direções, o sentido das coisas. Verdades que eram tão imutáveis foram se ajustando a uma realidade que jamais correspondeu àquela que fora, talvez, produto exclusivo de meus desejos, de minha vontade de acreditar. Ficou o que é interno, a verdade que eu mesma invento, e que é minha, afinal. Mas uma verdade minúscula, sem grandeza, que não vive mais do que já viveu. As coisas todas mudam neste mundo, e é desperdício o lamentar-se daquilo que se perdeu da pior das perdas: aquela que acontece, não quando se perde o que se teve um dia, mas aquela que nos tira o que pensávamos ter tido alguma vez. Como uma fotografia que vai perdendo as cores, desbotando, até que a gente não atina mais onde termina a forma e começa o fundo.

O Segredo do Poder

22 de janeiro de 2010

Impaciência

Ontem eu dizia, tentando me explicar, que há gente que me faz mal, uma mal físico, verdadeira repulsa que provoca náuseas, revira o estômago e embota os sentidos. Não mal de malvadeza, mas mal de estar perto, ainda que de longe. Gente que me faz precisar erguer barreiras, ficar na defensiva. Detesto ser importunada para que conheça gente que não tem nada a ver comigo. Eu escolho para onde olhar. Eu decido o que vejo e com quem compartilho os meus olhares. Não gosto sequer que me falem de quem não me importa saber coisa alguma. É que a melhor coisa da vida não é só viver, mas é poder andar por aí desavisada e distraída, ainda que passando pelos mesmos caminhos, mas sempre encontrando coisas novas, cores, sons, palavras, atalhos e desvios. Relendo um livro pela quinta vez sem desencantar. Não se pode fazer isso quando a gente está como que bloqueada por uma presença incômoda e redundante, que pretende se impor a nós, como quem tapa a paisagem, aparece sem convite, se introduz, sempre imaginando ter algo a dizer, gente que fecha janelas e portas que se abrem para a vida, porque neles só existe aquilo onde se reconhecem. Almas mesquinhas, esses estorvos têm a pretensão de saber da gente, quando não sabem nem de si. Tem sempre algo a dizer, consideram-se sábios, de uma sabedoria repleta de frases feitas e lugares comuns.
A solidão acaba sendo uma escolha, e uma companheira inestimável para quem não precisa saber de onde vem nem para onde vai. Importante é saber onde a gente está. E com quem.

Diálogo nos Infernos

"Sois um grande pensador, mas não conheceis a inesgotável covardia dos povos. Eu não digo daqueles de meu tempo, mas daqueles do vosso. Rastejantes diante da força, sem piedade diante da fraqueza, implacáveis para com as faltas, indulgentes para com os crimes, incapazes de suportar as contrariedades de um regime livre, e pacientes até o martírio para com todas as violências do despotismo audacioso, derrubando tronos nos momentos de cólera e se entregando a senhores a quem perdoam atentados, pelo menor dos quais teriam decapitado vinte reis constitucionais."
Joly, Maurice. Dialogue aux enfers entre Machiavel et Montesquieu.