
A mulher que domina a cena é Vênus, a deusa do amor, que beija cupido, seu filho, com lascívia, figurando o Incesto, tolerado entre os deuses e condenando entre os homens. Ela segura uma maçã, fruto que aqui representa o pomo da discórdia. Cupido corresponde ao beijo e toca o peito da mãe, passando de filho a amante. A figura do menino que espalha pétalas de rosas com ambas as mãos, parecendo dirigir-se ao casal, é uma personificação da Loucura. Observem que no tornozelo da criança há uma cascavel com a qual ela parece não se importar. Atrás deste menino-loucura, aparece uma linda menina com corpo de cobra e escorpião. Ela oferece um favo de mel, ao mesmo tempo em que esconde um ferrão. Esta linda menina representa o Engano. O Tempo aparece afastando a cortina que expõe a cena. O Esquecimento também aparece, faltando a parte de cima da cabeça, em disputa com o Tempo por causa da cortina. Pensam alguns que isso poderia significar o efeito retardado da sífilis que naquela época estava se espalhando. Daí a figura do ciúme também, neste quadro, ser identificada com a sífilis. Seja como for, o quadro é uma impressionante alegoria. A imagem que consegui para esta postagem está em alta resolução e pode ser ampliada com um clique do mouse.