
Foi nesta. Eu aposto. Foi tomando banho nesta banheira que morreu Marat, apunhalado no coração por Charlotte Corday. Consta que era um punhal com uma lâmina de seis polegadas, o que leva a gente a pensar que Marat pode ter sido morto por alguma gaúcha, com tendências homicidas. Gaúchos adoram facas, punhais, canivetes, facões, etc. Pela TV, pode-se ter ouvido contar que o episódio teve lugar durante a Revolução Farroupilha. Há controvérsias. Dizem que Marat atuou na Revolução Francesa, mas no fundo tanto faz. Importa é que deu na TV. Embora os gaúchos tenham preservado a banheira em um acervo histórico, consta que os bandeirantes, cruzando o Mampituba, teriam se apropriado criminosamente do objeto, levando-o para que ficasse exposto no Museu do Ipiranga, de onde, mais tarde, foi roubado por contrabandistas de obras de arte e vendido para um colecionador que prefere ficar no anonimato, por razões óbvias.
Ah! Inconsistências históricas? Mas o que é isso diante de uma banheira como essa? Tudo precisa ser lendário, simbólico, ou nunca chegará a ser significativo. As coisas não são nada frente ao que podem significar. Resta agora achar uma cabra, que se chamará Charlotte, e que dará leite bastante para encher a banheira onde só Cleópatra poderá banhar-se.
Ah! É preciso também achar o punhal. De seis polegadas. E ainda manchado do sangue de Marat. Imaginação, imaginação. O mundo é todo fruto da imaginação.