Exige-se sentido, unidade, explicação. E quando o mundo não responde a tanto ― porque esta é regra ― nasce o absurdo.
Fazer da vida uma narrativa coerente é a grande fantasia que desponta, luminosa, no horizonte das redes. Nos feeds costuram-se causalidades morais onde não há senão fatos descontínuos aos quais se impõem sentidos e significados vãos.
Exigem-se explicações consoladoras de ordem religiosa, moral, psicológica. Nada, porém, é suficiente para transpor o abismo entre experiência e significado.
É preciso justificar-se. Dar à vida humana uma narrativa moralmente aceitável retrospectivamente. Mas não há narrativa capaz de organizar uma existência que é feita de fragmentos da experiência.
Jogar o jogo da produção de sentidos é obrigatório.
É preciso negar a existência do absurdo.
Ou aprender conviver com ele e viver como estrangeiro sem ceder ao conforto que nos proporcionam as mentiras consoladoras.
