11 de julho de 2010

Descuidados

Era para ser pintado com tintas raras, da Rembrant, os melhores brancos e os melhores amarelos, sienas, sombras, detalhes, enfim. Porque deveria ser fiel à cor que só o tempo imprime ao papel velho. E havia as sombras e o papel dobrado, os desafios de pintar uma coisa tão complicada. Ia ficar bonito. Mas acabou desse jeito mesmo, tudo porque alguém derrubou solvente e óleo por cima, por descuido, esquecimento, descaso. E ficou assim o quadro que encontrei hoje enfiado num canto, pronto para o lixo. Cuidado com os descuidados. Nem sempre é apenas sobre nossos papéis que eles derramam essas coisas corrosivas.

11 de julho

Anotei em algum lugar, há tres anos, esta data de 11 de julho nas páginas de uma agenda. Por onde se desprenderam aquelas páginas? Voaram também? Ou foram devoradas pelas traças? O tempo devora a vida dos homens, mas as traças devoram as histórias que a vida escreve. Nem sempre há pincéis e tintas para que a gente restaure um quadro inacabado que fica esquecido num canto. Ou, talvez, alguém escreva outra história por cima daquela, apagando a nossa. Ou pinte outro quadro. Ou simplesmente colam uma foto por cima, só para disfarçar o papel rasgado, a página arrancada ou o erro de português. Do mesmo jeito, se apagam postagens antigas que ninguém leu.

9 de julho de 2010

Viva! Salve!

Salve as Sílvias neste 9 de julho!
Salve!
Salve-se.
Sirva-se
Silva-se

2 de julho de 2010

O Bem e o Mal

Há uma velha quimera cujo nome é bem e mal. A roda dessa loucura girou até hoje em torno dos adivinhos e dos astrólogos.
Outrora acreditava-se em adivinhos e astrólogos, e eis por que se acreditava que tudo é fatalidade: "É teu dever porque é necessário".
Mais tarde desconfiou-se de todos os adivinhos e astrólogos, e eis por que se acreditou: "Tudo é liberdade; podes o que queres!"
Oh, meus irmãos! Tudo quanto de acreditou sobre as estrelas e sobre o futuro nada mais foi que conjecturas, e nada se soube ao certo, e eis por que sobre o bem e o mal não se tem feito senão conjecturar, e nada se soube nunca.
NIETZSCHE, Friedrich. Assim falava Zaratustra, tradução, notas e análise simbólica de Mário Ferreira Santos, 2a. ed., Logos, SP, p. 228/229.

Hora Certa

Adoro relógios. Para mim, eles simbolizam uma das maiores riquezas que se pode almejar: o tempo. Algo que não admite desperdício e que sempre remunera à farta os mínimos investimentos que se façam nele.

Conteúdo

Nem só corpo, nem só coração, mas ainda pensamento.

1 de julho de 2010

Mundo Policial

Os meios e os fins

É, fala-se dos meios e dos fins. Retórica apenas. O que importa sempre é o começo, pois, se for mesmo verdade que os efeitos criam suas próprias causas, cada começo já é um fim em si.