3 de janeiro de 2010
Reclames de Antigamente
Essas profundas nulidades...
"Não se encontram muitos homens, cuja profunda nulidade é um segredo para a maior parte das pessoas que os conhecem? Uma posição elevada, um nascimento ilustre, atribuiçoes importantes, certo verniz de polidez, grande reserva no procedimento ou o prestígio da fortuna são para eles como guardas que impedem os críticos de penetrar na sua existência íntima. Essa gente parece-se com os reis, cuja verdadeira estrutura, caráter e costumes nunca podem ser bem conhecidos, nem justamente apreciados, porque são vistos de muito longe ou de muito perto. Essas personagens de merecimento fictício interrogam em vez de falar, possuem a arte de dispor os outros em cena, fazê-los mover com destreza, cada um segundo as suas paixões ou os seus interesses, e zombam assim de homens que lhe são realmente superiores, fazem deles uns fantoches e julgam-nos pequenos porque os rebaixam até suas pessoas. Obtêm então o triunfo natural de um pensamento mesquinho, porém fixo, sobre a mobilidade dos grandes pensamentos. De sorte que, para apreciar esses cérebros ocos, e pesar-lhe o valor negativo, o observador deve possuir um espírito mais sutil do que superior, mas paciência do que alcance de vista, mais finura e tato do que elevação e grandeza de idéias. Não obstante, por maior habilidade que empreguem esses usurpadores em defender os seus pontos fracos, é-lhes bem difícil enganar as esposas, as mães, os filhos ou os amigos da casa. Esses, porém, guardam quase sempre o segredo sobre um assunto que, de algum modo, toca à honra comum; e muitas vezes até os ajudam a imporem-se à sociedade."
Balzac, p. 41/42.
2 de janeiro de 2010
Ingenieros e o Amor

Há algum tempo, mexendo em arquivos informatizados, encontrei uma pasta do tempo em que trabalhava com edição de livros. Ela continha diversas coisas sobre Ingenieros, de quem se estava por relançar a “Criminologia”. Dentre esses textos virtuais, todavia, que abrangem sua vida e obra, deparei-me com arquivos que traziam anotações sobre uma obra muito interessante intitulada ESTUDOS SOBRE O AMOR (Tratado del Amor).
São passagens que, acredito, vão surpreender, pelo contraste de comportamentos que variam de uma época para outra e, também, por observações que não mais permanecem válidas. Desde já aviso que a referência que aparece é INGENIEROS, José. ESTUDOS SOBRE O AMOR ― “Tratado del amor”, Ed. Cultura Moderna. São Paulo, sem data.
Não tive como conferir a digitação e sei que há erros. No entanto, como ilustração de estilo e pensamento de época, o texto é notável, porque ilustra os preconceitos vigentes há não muito tempo, preconceitos que deram origem a correntes radicais que não mais se sustentam pelo pressuposto de exclusão que conferiam às idéias vigentes, hoje completamente superadas. Ao final, acrescentei um breve estudo biográfico e algumas citações de Ingenieros.
A obra, sem dúvida, envelheceu e não mais corresponde a qualquer pensamento sustentável. Nem por isso, contudo, perde interesse para o estudioso, quanto mais quando se trata de evitar erros históricos que o tempo, felizmente, não consagrou.
O arquivo está no meu Scribd.
29 de dezembro de 2009
Anamnese
Quinta-feira, 9 de dezembro de 2004 14:35
Psicologia Social tá difícil...
Meu Querido!
....Ah! Nem o Prof. Jean-Marie consegue "Tardes" facilmente. A Criminalidade que está lá, por sinal, é minha. Aqui na Biblioteca Pública proíbem xerox, quando não dão o livro por desaparecido. Além disso, sábados e domingos, a Biblioteca fecha. Teu carinho me encanta. porque me fazes sentir à vontade naquela minha oitava mais alta, aquele estado de espírito que eu sempre silencio e abafo, meio culpada. Só não fica esperando de mim um trabalho show. Sou assistemática e não acredito em métodos. Desenvolver alguma coisa com começo, meio e fim, em moldes predeterminados até faço, mas é torturante; fazer uso de uma linguagem tipo cult, então... O mais gostoso em Tarde é que ele interrompe um parágrafo e viaja por três... a seqüência está lá adiante. Ora, quem procura, não acha! — Lembra: o mais gostoso em ti e no teu discriminacionismo é teres sido coloquial. Tu conversas, não sentencias. — Minha maneira de saber e descobrir é à-toa, a maior vagabundagem. Recolho tralhas por toda parte, sem me preocupar se aquilo vai ou não assumir um aspecto funcional, não sei forçar. Já cansei de abrir um livro ao acaso e... serendipity! Ostento um formalismo, até visual, quase rigoroso, é verdade. Sou muito educada, escrupulosa, mas é pura piada, porque detesto gente afetada, mais ainda o saber afetado. Por outro lado, nutro um profundo desprezo por quem se deslumbra com sucesso. São os novos sábios que coloco ao lado dos novos ricos... É lisonjeiro que tu gostes desta minha porção virtual, profundamente lisonjeiro. Talvez seja mesmo verdadeiro que eu saiba bastante sobre psicologia social, porque li Siguelle, Tarde, Le Bon, sem suportar Spencer. Li porque quis. Não precisava. O detalhe é que, se eu formular meu conhecimento, ele congela. Daí eu haver te falado nos hiperlinks. Eu tenho peças de um quebra-cabeça, um monte de chaves que abrem portas, mas não estou nem aí para exibi-las ou organizá-las. Meu saber não é puro! Seria um estelionato cultural avalizar uma diletante desviada! Só há um motivo válido para eu tentar uma viagem dessas. Ah! O que uma mulher não faz por um homem charmoso? Mesmo que eu consiga a psicologia social, só vou ler se o texto me seduzir, mas sem pretensões utilitárias. Pelas minhas próprias circunstâncias pessoais, já sou muito certinha, sem reclamar. Mas meu lado criativo é transgressor e é rebelde, nem que seja só no papel em branco.
Vou correr atrás das contas hoje.
Bj!
Psicologia Social tá difícil...
Meu Querido!
....Ah! Nem o Prof. Jean-Marie consegue "Tardes" facilmente. A Criminalidade que está lá, por sinal, é minha. Aqui na Biblioteca Pública proíbem xerox, quando não dão o livro por desaparecido. Além disso, sábados e domingos, a Biblioteca fecha. Teu carinho me encanta. porque me fazes sentir à vontade naquela minha oitava mais alta, aquele estado de espírito que eu sempre silencio e abafo, meio culpada. Só não fica esperando de mim um trabalho show. Sou assistemática e não acredito em métodos. Desenvolver alguma coisa com começo, meio e fim, em moldes predeterminados até faço, mas é torturante; fazer uso de uma linguagem tipo cult, então... O mais gostoso em Tarde é que ele interrompe um parágrafo e viaja por três... a seqüência está lá adiante. Ora, quem procura, não acha! — Lembra: o mais gostoso em ti e no teu discriminacionismo é teres sido coloquial. Tu conversas, não sentencias. — Minha maneira de saber e descobrir é à-toa, a maior vagabundagem. Recolho tralhas por toda parte, sem me preocupar se aquilo vai ou não assumir um aspecto funcional, não sei forçar. Já cansei de abrir um livro ao acaso e... serendipity! Ostento um formalismo, até visual, quase rigoroso, é verdade. Sou muito educada, escrupulosa, mas é pura piada, porque detesto gente afetada, mais ainda o saber afetado. Por outro lado, nutro um profundo desprezo por quem se deslumbra com sucesso. São os novos sábios que coloco ao lado dos novos ricos... É lisonjeiro que tu gostes desta minha porção virtual, profundamente lisonjeiro. Talvez seja mesmo verdadeiro que eu saiba bastante sobre psicologia social, porque li Siguelle, Tarde, Le Bon, sem suportar Spencer. Li porque quis. Não precisava. O detalhe é que, se eu formular meu conhecimento, ele congela. Daí eu haver te falado nos hiperlinks. Eu tenho peças de um quebra-cabeça, um monte de chaves que abrem portas, mas não estou nem aí para exibi-las ou organizá-las. Meu saber não é puro! Seria um estelionato cultural avalizar uma diletante desviada! Só há um motivo válido para eu tentar uma viagem dessas. Ah! O que uma mulher não faz por um homem charmoso? Mesmo que eu consiga a psicologia social, só vou ler se o texto me seduzir, mas sem pretensões utilitárias. Pelas minhas próprias circunstâncias pessoais, já sou muito certinha, sem reclamar. Mas meu lado criativo é transgressor e é rebelde, nem que seja só no papel em branco.
Vou correr atrás das contas hoje.
Bj!
28 de dezembro de 2009
Triste? Abatido? Nervoso?

Adoro esses almanaques antigos, especialmente quando examino a redação e o estilo dos textos publicitários, que me parecem encantadores em sua simplicidade. Eles traduzem um modo de vida, uma sociedade crédula, apegada a tradições, prosaica em sua maneira de ver a vida, mas, sem dúvida, sincera em suas intenções.
Um clic na imagem e ela abre com melhor resolução.
Superstição
Um homem nunca é completamente miserável quando ele é supersticioso. Uma superstição é freqüentemente uma esperança.
Balzac. La peau de chagrin, Garnier, 1950, pg. 153.
13 de dezembro de 2009
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