2 de janeiro de 2010

Ingenieros e o Amor


Há algum tempo, mexendo em arquivos informatizados, encontrei uma pasta do tempo em que trabalhava com edição de livros. Ela continha diversas coisas sobre Ingenieros, de quem se estava por relançar a “Criminologia”. Dentre esses textos virtuais, todavia, que abrangem sua vida e obra, deparei-me com arquivos que traziam anotações sobre uma obra muito interessante intitulada ESTUDOS SOBRE O AMOR (Tratado del Amor).
São passagens que, acredito, vão surpreender, pelo contraste de comportamentos que variam de uma época para outra e, também, por observações que não mais permanecem válidas. Desde já aviso que a referência que aparece é INGENIEROS, José. ESTUDOS SOBRE O AMOR ― “Tratado del amor”, Ed. Cultura Moderna. São Paulo, sem data.
Não tive como conferir a digitação e sei que há erros. No entanto, como ilustração de estilo e pensamento de época, o texto é notável, porque ilustra os preconceitos vigentes há não muito tempo, preconceitos que deram origem a correntes radicais que não mais se sustentam pelo pressuposto de exclusão que conferiam às idéias vigentes, hoje completamente superadas. Ao final, acrescentei um breve estudo biográfico e algumas citações de Ingenieros.
A obra, sem dúvida, envelheceu e não mais corresponde a qualquer pensamento sustentável. Nem por isso, contudo, perde interesse para o estudioso, quanto mais quando se trata de evitar erros históricos que o tempo, felizmente, não consagrou.
O arquivo está no meu Scribd.

29 de dezembro de 2009

Anamnese

Quinta-feira, 9 de dezembro de 2004 14:35
Psicologia Social tá difícil...
Meu Querido!
....Ah! Nem o Prof. Jean-Marie consegue "Tardes" facilmente. A Criminalidade que está lá, por sinal, é minha. Aqui na Biblioteca Pública proíbem xerox, quando não dão o livro por desaparecido. Além disso, sábados e domingos, a Biblioteca fecha. Teu carinho me encanta. porque me fazes sentir à vontade naquela minha oitava mais alta, aquele estado de espírito que eu sempre silencio e abafo, meio culpada. Só não fica esperando de mim um trabalho show. Sou assistemática e não acredito em métodos. Desenvolver alguma coisa com começo, meio e fim, em moldes predeterminados até faço, mas é torturante; fazer uso de uma linguagem tipo cult, então... O mais gostoso em Tarde é que ele interrompe um parágrafo e viaja por três... a seqüência está lá adiante. Ora, quem procura, não acha! — Lembra: o mais gostoso em ti e no teu discriminacionismo é teres sido coloquial. Tu conversas, não sentencias. — Minha maneira de saber e descobrir é à-toa, a maior vagabundagem. Recolho tralhas por toda parte, sem me preocupar se aquilo vai ou não assumir um aspecto funcional, não sei forçar. Já cansei de abrir um livro ao acaso e... serendipity! Ostento um formalismo, até visual, quase rigoroso, é verdade. Sou muito educada, escrupulosa, mas é pura piada, porque detesto gente afetada, mais ainda o saber afetado. Por outro lado, nutro um profundo desprezo por quem se deslumbra com sucesso. São os novos sábios que coloco ao lado dos novos ricos... É lisonjeiro que tu gostes desta minha porção virtual, profundamente lisonjeiro. Talvez seja mesmo verdadeiro que eu saiba bastante sobre psicologia social, porque li Siguelle, Tarde, Le Bon, sem suportar Spencer. Li porque quis. Não precisava. O detalhe é que, se eu formular meu conhecimento, ele congela. Daí eu haver te falado nos hiperlinks. Eu tenho peças de um quebra-cabeça, um monte de chaves que abrem portas, mas não estou nem aí para exibi-las ou organizá-las. Meu saber não é puro! Seria um estelionato cultural avalizar uma diletante desviada! Só há um motivo válido para eu tentar uma viagem dessas. Ah! O que uma mulher não faz por um homem charmoso? Mesmo que eu consiga a psicologia social, só vou ler se o texto me seduzir, mas sem pretensões utilitárias. Pelas minhas próprias circunstâncias pessoais, já sou muito certinha, sem reclamar. Mas meu lado criativo é transgressor e é rebelde, nem que seja só no papel em branco.
Vou correr atrás das contas hoje.
Bj!

28 de dezembro de 2009

Triste? Abatido? Nervoso?


Adoro esses almanaques antigos, especialmente quando examino a redação e o estilo dos textos publicitários, que me parecem encantadores em sua simplicidade. Eles traduzem um modo de vida, uma sociedade crédula, apegada a tradições, prosaica em sua maneira de ver a vida, mas, sem dúvida, sincera em suas intenções.
Um clic na imagem e ela abre com melhor resolução.

Superstição

Um homem nunca é completamente miserável quando ele é supersticioso. Uma superstição é freqüentemente uma esperança.
Balzac. La peau de chagrin, Garnier, 1950, pg. 153.

2 de dezembro de 2009

Ferri

“Nos fenômenos psicológicos, a reunião de muitos indivíduos não dá jamais um resultado igual àquele que se deveria atingir a partir da soma de cada um deles”.
Enrico Ferri

23 de novembro de 2009

Lacenaire, assassino, poeta e escritor.

“Que advirá ao jovem compelido a essa miserável sociedade, aquela das prisões? Pela primeira vez, ouvirá ressoar, em seus ouvidos, a longa barbárie dos Cartouche e dos Poulailler, a ignóbil gíria. Infeliz desse jovem, se não se puser, imediatamente, a seu nível, se não adotar seus princípios e sua linguagem. Seria declarado indigno de estar ao lado de seus ‘amigos’! Suas reclamações não seriam ouvidas pelos próprios guardas que se inclinam sempre a proteger os chefes. O jovem não obteria outro resultado senão o de excitar contra si a cólera do carcereiro que é, de hábito, um antigo forçado. Em meio a essa vergonha, a esse cinismo de gestos e palavras, o infeliz enrubesce com o resto de pudor e de inocência que tinha ao entrar. Arrepende-se de não haver sido tão criminoso quanto seus confrades. Ele teme seus brocardos, seu desprezo, e isso explica a razão pela qual certos forçados se acham melhor aí do que no seio da sociedade onde não recolheriam senão desdém. Quem, pois, consentiria em viver desprezado? Assim o jovem toma como exemplo esses bons modelos... Em dois ou três dias chegará a falar sua língua e, então, não será mais um pobre simplório: os amigos poderão apertar-lhe a mão sem medo de se comprometer. Observe-se bem que não é senão aí que aparece a glória por parte desse rapaz que enrubescia ao passar por noviço. A mudança operou-se na forma mais que no fundo. Dois ou três dias passados nessa cloaca não poderão pervertê-lo inteiramente, mas tranqüilizem-se: o primeiro passo foi dado e ele não ficará no meio do caminho”.

O texto é de autoria de Pierre François Lacenaire (1800-1836) que foi poeta e também um famoso assassino. A citação aparece em LOMBROSO, César. O Homem Delinqüente, Ricardo Lenz Editor, Porto Alegre, 2001, Cap. XII, dedicado à Literatura dos Criminosos, pág. 492.

15 de novembro de 2009

Tédio


Entediar-se é fazer-se presente para si e ausentar-se dos outros. É o aprendizado do silêncio, da palavra engolida, da língua travada. No tédio, temos a nós mesmos, num tempo que se emprega na descoberta de fundos e de formas capazes de abrigar as nossas criações.

2 de novembro de 2009

As Traças

Deletei. Em homenagem ao dia 09 de julho de 2010.