Não sou um ateu total, todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro.
Saramago
31 de outubro de 2010
30 de outubro de 2010
Sabe o roxo?
Tem dia que falta sol...
E tem noite que falta luz.
Só para reforçar
Eu continuo dizendo a mesma coisa. Amigo de meu inimigo, meu inimigo é.
29 de outubro de 2010
Beatriz
Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha
Será que ela é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida
Edu Lobo/Chico Buarque
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha
Será que ela é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida
Edu Lobo/Chico Buarque
28 de outubro de 2010
Tempo
Há quase cinqüenta anos eu era muito ligado à filosofia de Spencer. Percebi, um belo dia, que o tempo não servia para nada, que ele não fazia nada. Ora, aquilo que não faz nada não é nada. Entretanto, eu me dizia, o tempo é alguma coisa. Logo, ele age. Que pode fazer? O simples bom senso respondia: o tempo é aquilo que impede que tudo seja dado de repente. Ele retarda, ou de preferência ele é retardamento. Ele deve, pois, ser, elaboração. Não seria então veículo de criação e de escolha? A existência do tempo não provaria ela que existe indeterminação nas coisas? O tempo não seria esta indeterminação mesma?
Se esta não é a opinião da maior parte dos filósofos, é que a inteligência humana é feita justamente para aprender as coisas pelo outro lado. Eu digo a inteligência, eu não digo o pensamento, eu não digo o espírito. Ao lado da inteligência existe, com efeito, a percepção imediata, para cada um de nós, de sua própria atividade e das condições nas quais ela se exerce. Chamam-no como quiserem; é o sentimento que nós temos de sermos os criadores de nossas intenções, de nossas decisões, de nossos atos, e por aí de nossos hábitos, de nosso caráter, de nós mesmos. Artesãos de nossa vida, artistas mesmo, quando nós o desejamos, trabalhamos continuamente para moldar, com a matéria que nos é fornecida pelo passado e pelo presente, pela hereditariedade e pelas circunstâncias, uma figura única, nova, original, imprevisível como a forma dada pelo escultor à argila.
BERGSON, Henri. Le possible et le réel. Essai publié dans la revue suédoise Nordisk Tidskrift en novembre 1930, in La pensée et le mouvant. Essais et conférences.(Recueil d’articles et de conférences datant de 1903 à 1923).
Se esta não é a opinião da maior parte dos filósofos, é que a inteligência humana é feita justamente para aprender as coisas pelo outro lado. Eu digo a inteligência, eu não digo o pensamento, eu não digo o espírito. Ao lado da inteligência existe, com efeito, a percepção imediata, para cada um de nós, de sua própria atividade e das condições nas quais ela se exerce. Chamam-no como quiserem; é o sentimento que nós temos de sermos os criadores de nossas intenções, de nossas decisões, de nossos atos, e por aí de nossos hábitos, de nosso caráter, de nós mesmos. Artesãos de nossa vida, artistas mesmo, quando nós o desejamos, trabalhamos continuamente para moldar, com a matéria que nos é fornecida pelo passado e pelo presente, pela hereditariedade e pelas circunstâncias, uma figura única, nova, original, imprevisível como a forma dada pelo escultor à argila.
BERGSON, Henri. Le possible et le réel. Essai publié dans la revue suédoise Nordisk Tidskrift en novembre 1930, in La pensée et le mouvant. Essais et conférences.(Recueil d’articles et de conférences datant de 1903 à 1923).
Alhos & Bugalhos
"Convém não confundir alhos, que são a metade prática da vida, com bugalhos, que são a parte ideológica e vã."
Machado de Assis
Fonte: Migalhas nº 2.500, de hoje.
Machado de Assis
Fonte: Migalhas nº 2.500, de hoje.
Achados entre as páginas
Ixe, já viu pato desquerer de toda água?!
.....
Havia, sim, os sub-valentões, sedentários de mão pronta e mau gênio, a quem, por garantia, todos gostavam de dar os filhos para batizar.
......
Nunca vi defunto tão esticado de comprido.
.........
Achados em GUIMARÃES ROSA, João. Sagarana, Livraria José Olímpio Editora, 18ª edição, Rio de Janeiro, 1976, vol. 1. Tudo o que ele escreve me aparece como assombração, como palavras redimencionadas, tipo esse desquerer aí em cima, ou o comprimento esticado do defunto.
27 de outubro de 2010
21 de outubro de 2010
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