2 de fevereiro de 2023

Quem sabe?


Andanças em tempos idos, quando eu ia por aí fotografando tudo o que via. Gostava de explorar o velário da Igreja do Rosário. Detinha-me ora nas luzes, ora nas velas, ora no estrago que a fuligem causava no entorno. Lugar triste, tenso, a ponto de curvar desejos, quem sabe? — ou alterar destinos talvez. Mistério.

27 de janeiro de 2023

2023

 Bobagem contar, mas blogs são essencialmente temporais. Portanto, eis um post para marcar a data, até porque janeiro já vai longe e os boletos de fevereiro estão aí. 

29 de dezembro de 2022

25 de dezembro de 2022

Então, hoje

 Bergson. Desceu ontem da estante, e desde então nos ocupamos de metafísica. Logo mais vamos proceder a uma leve desconstrução de Kant. (Itálico, porque não creio que ele adotasse esse termo tão raso.)  Já cheguei no parágrafo e parei um pouco antes de prosseguir na tradução. Tantos anos lendo o que ele escreveu, e percebendo que aquilo que ele disse se torna cada vez mais atual. Há mesmo prazeres indizíveis e encontros insuspeitos, a despeito do Tempo, a despeito do Espaço, a despeito mesmo da estrutura da Linguagem. 

24 de dezembro de 2022

22 de dezembro de 2022

Há tempos...

 Há tempos misteriosos ao longo dos quais a gente sai de si. É difícil, pois é preciso superar o peso do corpo ancorado na gravidade. Um fardo que é o corpo, o peso do ar que fica tão denso às vezes, quando entra pelos pulmões como se fosse uma gelatina que insiste em não sair de lá. Há um peso a superar, até que finalmente se sai de si. Mais que sono. Mais que sonho. Leveza. Desligamento. Tão bom o anti-mundo, a anti-existência, o não-eu: a plenitude do nada.

Sim


Fotografia

Antídoto  contra o tempo e a pressa

Paralisante

Passado que fica

Passado que volta

Eu lá

E agora aqui

Assim


20 de dezembro de 2022

Por aí com a miga Aninha


Tem horas que rola aquele passeio corrido de final de semana. Meio improvisado, porque o mundo gira depressa, e as rotinas se alteram sem parar. Mas a miga liga e tudo é combinado na hora. Busão das onze e meia, com lanche no caminho, meia hora pra banheiro, café, batom e segue o baile. Chegada na canseira e já vamos para praia, porque o sábado amanheceu com nuvens, e a grande roda é um gigante que gira. A vida, afinal,é agora mesmo, e até o Natal se adianta nas luzes e nos reflexos. A gente vai correndo e a gente volta quase parando na 101 bloqueada pela chuva, e encara a vida com salgados e doçuras, domingos e segundas. 

Valeu, miga! A gente é mesmo da hora.


13 de novembro de 2022

Insistência


 Minha buganvília chegou aqui já com vaso especialmente comprado para ela. Planta legitimada pela origem: floricultura de beira de estrada, com direito a escolha múltipla e muitas recomendações. Chegou forte, bem enraizada. Apesar dos meus cuidados, e apesar de todo sol de que tanto gosta, ela nunca ficou bonita como as outras, as que nascem aqui no bairro, e ocupam até as calçadas. Enfim, a minha pobre mudinha acabou menor do que chegou, viveu por dois anos, floresceu parcimoniosamente, agonizou e morreu. Ressecou, toda quebradiça. Como há uma hera que ocupa o mesmo vaso, o que restou do tronco seco ficou ali.
Há alguns dias eu a mudei de lugar, pensando em arrumar outra moradora para o vaso de cerâmica. Entretanto, ao arrumar a hera e os trevos que compartilham o mesmo espaço, descobri os brotos. Os galhos secos ainda têm seiva, e isso parece ser o bastante para que a vida volte à luz. Por teimosia, talvez. Pura insistência. 

8 de novembro de 2022

Encontro

 

Hoje, tempos em que se aprendeu a viver num agora que é para sempre, não temos mais a memória do tempo em que se dizia não quando se queria dizer sim, e vice-versa. Nada mais sabemos dos desejos velados, nem dos amores contrariados, obrigados a viver numa espécie de masmorra cordial. Somos, no presente, muito ricos dessas máquinas que semeiam letras perfeitas numa folha de papel eletrônica, à qual falta, no entanto, a aspereza do atrito, o cheiro da tinta, a marca da hesitação assinalada no tremor da escrita.

.....

Encontro meus pensamentos espalhados por aí e me reconheço por simpatia. Dez anos se foram desde o Diário de Francisco, e parece que a dinâmica do tempo que identifiquei apenas por convicção literária bem poderia ser filosófica, aliás, em boa parte.