24 de julho de 2021

Memorial das Saudades

Revejo "Minhas Imagens" e encontro até textos lá dentro. Sorrio. Mexo nas pastas e penso que a falha de catalogação cria uma espécie de catalogação, sim, só que completamente anárquica. Então sigo o método intuitivo. Vou abrindo as pastas amarelas que estão ali. Abro as fotos, uma por uma, e surgem lugares, sabores, perfumes e performances. Encontro a Pinacoteca. Relembro a tarde, uma entre tantas das que passamos lá, revisitando artistas e passeando por nosso jardim, que era o da Luz. A recordação é o encanto dos tijolos à vista e, súbito, a janela aberta que a fotografia remete à escuridão, ao nada, ao nunca mais. 

21 de julho de 2021

Antiga e nova moral


"A antiga moral prescrevia regras de comportamento individual. Pensava-se que a sociedade se tornaria melhor se os indivíduos que a compunham agissem bem. A nova moral quer moralizar a própria sociedade sem impor regras aos indivíduos; a antiga moral dizia às pessoas aquilo que deviam fazer. A nova moral descreve aquilo que a sociedade deve se tornar: não são mais os indivíduos que devem se comportar de modo direito, mas a sociedade é que tem o dever de ser mais justa. Enquanto a antiga moral se voltava ao bem, a antiga moral era ordenada ao bem e a nova é ordenada ao justo."

BENOIST, Alain de. I demoni del bene. Dal nouvo ordine morale all’ideologia del genere. Napoli: Controcorrente, 2015, p. 9-10.


18 de julho de 2021

Reclames de Antigamente


 Almanaque Eu sei Tudo, 1959, contracapa. E eu aqui, pensando nos transtornos da TPM de antigamente e nas promessas do Regulador Gesteira. 

17 de julho de 2021

Lápis de cor


 Sempre que estou diante de um lápis de cor, volto ao passado. Esse material simples era, na prática, um dos primeiros disponibilizados às crianças do meu tempo, que se transformaram nos idosos deste tempo. Usava-se lápis de cor antes dos crayons, antes das têmperas, das aquarelas e bem antes das tintas de base oleosa. Era uma espécie de hierarquia. Adquiria-se o "direito" ao uso de certos materiais, conforme nos mostrássemos mais um menos competentes no emprego das técnicas reservadas a cada um. Todavia, a primeira "prova" era aprender a colorir com lápis de cor. Com o tempo,  afastei-me deles. Acabaram  desparceirados. Muitos sem ponta, relegados  ao exílio, amontoados em caixas guardadas naqueles cantos da casa que são habitados pelos duendes domésticos. — É óbvio que eles existem!  — Recentemente, porém, resolvi brincar com meus lápis de cor e, na mesma hora, voltei no tempo. Tão bom não ter a menor preocupação em mostrar técnica ou competência. O único objetivo é brincar. Brincar de fazer acontecer um céu estrelado do qual me aproprio no meio da noite, nas madrugadas proibidas que acontecem só depois da meia-noite, quando brilham estrelas gigantes, quase do tamanho da lua que não é nem tão redonda assim. E a cor não é preta, porque esses céus devem puxar o tom de um veludo que minha mãe chamava de "azul noite" e que era muito "chic" e macio. Tenho, pois, para mim, secretamente, que os lápis de cor devem ser mágicos. Basta encostar suas pontas  no papel e deixar que se movam à vontade, para que aconteçam essas coisas tão prosaicas quanto esse desenho. Depois, olhando bem para esse céu de lua achatada e de estrelas tortas, dá vontade de escrever coisas assim, que as traças devoram, inexoravelmente.

16 de julho de 2021

Sexta

 Sim, sexta. Faz frio e paz ao redor. Noite serena, suave. Na sala escura teu retrato domina o ambiente do alto. Busco o teu olhar, mas o escuro mal define as formas. Não importa. Na memória em que navega a saudade todos os detalhes são precisos.

15 de julho de 2021

Por assim dizer

Deu por hoje. Que o dia se vai e já está quase sextando, por assim dizer.

1 de julho de 2021

Memórias tristes

É que hoje me vieram lembranças. Nos áudios que me deixaste, como evocações, tantos detalhes. E a insidiosa maldade que, ao final, prevaleceu. Memórias tristes, escolhas fatais.

Sempre


 

28 de junho de 2021

Comigo mesma

 Daí pensei comigo mesma, ainda que não pudesse pensar senão comigo mesma, que este mundo aqui está é cheio de gente doida.