Não entendi, mas... por que deveria?
16 de dezembro de 2020
15 de dezembro de 2020
Eu entendi tudo
Ele recebe os clientes do restaurante de beira de estrada muito à vontade. No meu caso, limitou-se a erguer a cabeça e a dar uma olhada na câmera. Daí, depois que devorei o enorme pastel sem vento, recheado de muita carne suculenta, salsinha e ovo cozido picados, além do café preto passado na hora, tudo simplesmente divino, eu entendi tudo.
politique d'autruche
Então, o bicho tem assim um olhar de superioridade que vou te contar. Ainda mais que muito mais alto que eu!
12 de dezembro de 2020
Bobagens às traças
Organização do tempo. Sim, sei que há pessoas que conseguem isso. Se agendam e cumprem. Eu faço isso também, mas tenho absoluta certeza de que, quando funciona, é bem menos por minha capacidade de organização do que por uma espécie de sorte. Sorte? É, tipo assim aquela música "o acaso vai nos proteger", etc. Porque são tantos os imponderáveis. E o tempo não deixa de ser, ele mesmo, imponderável, ainda que se deixe medir. Mas, de certo mesmo, sobre o tempo, uma certeza eu tenho: ele é um luxo, e quando mais o despendemos em futilidades, mais luxuoso ele se torna. Como agora mesmo, por exemplo, com mil coisas importantes a fazer, e eis uma bela hora tomada à manhã deste sábado e desperdiçada numa aquarela e nestas bobagens que escrevo para atirar às traças.
11 de dezembro de 2020
Fidelidade
Quanto mais me estranho no espelho, mais me reconheço na minha escrita.
5 de dezembro de 2020
Só reflexo
As torres da igreja refletidas na fonte da praça em frente. É um recorte que, como tal, assume autonomia, independência, liberdade, eu diria. Porque, recortado do todo, não precisa mais ficar submisso à realidade, ao conjunto que integrava como mero reflexo. Agora é real também. Tanto quanto. E eu, justamente por conta de coisas como essa, amo tanto a fotografia: afinal, com ela, quando eu minto, minto de verdade.
4 de dezembro de 2020
Tua ausência
Ando por aí vendo tantas coisas. Reconheço belezas prontas em algumas e colho: como essa maravilhosa borboleta. Em outras, fabrico meus próprios belos. Tenho também tocado tantas páginas cujo papel é cheio de vida. Há música e há silêncio que, pacífico, invade a minha casa. Há sabores novos também. Não digo que todas essas coisas não me tragam alegrias, porque me trazem. E porque meus sentidos me entregam tudo com exagerada prodigalidade, como dizias. Entretanto, mal me dou conta de que não estás mais aqui, cores e sabores vão embora, livros emudecem, música e silêncio se igualam: tudo para dar lugar à tua ausência.
3 de dezembro de 2020
Beatriz, a de Dante, sim
Eu e a Beatriz, que lia a Divina Comédia, ambas sob o olhar de Dante, lá em Caxias do Sul, na praça, durante uma feira do livro, a caminho do Foro, porque não custa parar e olhar. Impressionante é que Beatriz tenha se mudado, ela e Dante, para o Rio Grande do Sul. Quem diria? Mas como são vizinhos da Catedral, que fica ali perto, só posso imaginar que se sintam bem instalados. Diria mesmo que ela foi gentil comigo, posando para esta foto.
Aliás, foto Cestari.
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