24 de junho de 2020

História do Medo

Defender-se do invisível... Não é esta uma atitude comum à humanidade? Defender-se daquilo que não se vê senão através dos olhos da imaginação. Estranhamente, os invisíveis que antes não passavam de entes imaginários ganham foros de realidade: coisificam-se. Saem do mundo imaginário para se apresentarem, como ameaças reais.
É preciso então que nos purifiquemos, tendo sempre presente que não basta a higiene da alma. É preciso depurar-se no corpo, isolar-se, enluvar-se, porque o invisível nos ameaça.
E por aí se vai escrevendo mais um capítulo da história de nossos medos.

11 de junho de 2020

Balzac, absolutamente


"As mulheres possuem um instinto que lhes permite adivinharem os homens que as amam pelo simples fato de usarem saias, que se sentem felizes junto delas e que nunca pensam em lhes pedir tolamente os juros de suas amabilidades. Têm, a esse repeito, o faro de um cão que, num grupo, vai diretamente ao homem para quem os animais são sagrados."
BALZAC, Honoré. A Solteirona. Trad. de Lia Correa Dutra, A Comédia Humana, v. VI. Porto Alegre: Editora Globo, 1951. [p. 448]

20 de maio de 2020

Estranhamente calma...

...ainda que o advérbio seja por demais impreciso.

Espera

Visto por último às 5:31 da madrugada...



12 de maio de 2020

8 de maio de 2020

20 de abril de 2020

Cenário

Furtivamente.
Porque me lisonjeia esse olhar meramente curioso que pode, no entanto, reconhecer o cenário, e as flores, vasos, janelas e cortinas.
Componentes de uma espera, enfim.
De bom que toda espera deva ser o que palavra diz: esperançosa.
Ou é desespero, de quem desespera.

15 de abril de 2020

Essas coisas


Então, a gente olha para baixo, e enxerga uma coisa que pode ser um ovo ou um cogumelo. Daí inventa de parar e fotografar, enquanto pensa em como a vida pode ser maravilhosamente banal.
Absolutamente gratuita.

11 de abril de 2020

Essa história das cores frias

Então, acho que tudo a ver.
As cores frias são silenciosas, mesmo quando abrigam formas torturadas. Até os amarelos, de uma quentura morna e comedida, recuam diante dos cinzas e dos gélidos azuis.
O resultado de tudo isso foi a destruição do jardim. As flores acabaram por desaparecer, sufocadas pelas camadas de cor mal aplicadas. O produto, contudo, agradou-me. 
Gostei de olhar para o caos do cartão.
Agradou-me a vista e devo guardar o original por algum tempo: até que ele suma como marcador esquecido dentre as páginas de um dos meus livros.