10 de abril de 2018

8 de abril de 2018

Como se pode ser pagão?


Eu escrevi este livro, como de hábito, para todos e para ninguém. Para aqueles, sobretudo, que não conhecerei jamais. Uma nostalgia aí se exprime: é uma nostalgia do futuro. O tempo de interpretação do mito, infelizmente, é também aquele do desaparecimento dos deuses. Em uma época neoprimitiva pelo próprio fato de sua atualidade, em uma época profundamente vazia a par de sua plenitude, em uma época onde tudo é simulacro e experiência forclose, onde tudo é espetáculo, mas onde não há mais olhos para ver, em uma sociedade onde surgem novas formas de totalitarismo e de exclusão, sociedade sempre sussurrante de ódios recozidos, sussurrante do inautêntico e do não essencial, em uma sociedade onde morre a beleza, sociedade do fim da historia, sociedade do último homem onde tudo se afunda no Ocidente ― no Oeste absoluto, transatlântico, de uma história que foi grande ― este livro quer lembrar a possibilidade de uma paisagem, a possibilidade de uma representação espiritual consonante com a beleza de um quadro, de um rosto, de um acordo com a fé de um povo de um povo sustentado pela esperança e pela vontade de um viver um novo começo.
Está aí, compreenda-se, um livro de desejos, de lembranças, de dúvidas e de paixões.

Alain de Benoist

BENOIST, Alain. Comment peut-on être païen?. Paris: Éditions Albin Michel, 1981, p. 12-13. Tradução minha.



31 de março de 2018

30 de março de 2018

Arte e Verdade

A arte não tem a verdade como seu objeto. Nós devemos pedir a verdade às ciências, porque a verdade é objeto delas; não se deve pedi-la à literatura, que não a tem e que não pode ter como objeto senão o belo.

Anatole France
Le Jardin d'Epicure

28 de março de 2018

Onde estarás?

Tanto tempo depois de te encontrar e fotografar, onde estarás? Pelas ruas de uma cidade sempre envolta em nevoeiros, numa escala de cinzas e agora de saudades, revejo esta imagem e me perco no teu olhar, que oscila entre a meiguice, a curiosidade e o receio. Nunca te esqueci. Em que pese a brevidade do nosso encontro, do instante fugidio da fotografia, sempre serás o meu cachorro preto de Paranapiacaba, hoje tão distante, tão nunca mais. Só posso esperar que tenhas encontrado em teu caminho um tanto dessa generosidade que os humanos, às vezes, são capazes de dispensar e da qual, tu e os teus, são tão ricos e tão pródigos.


27 de março de 2018

Todos os cães do mundo

Este, e todos os outros cães do mundo, me fazem lembrar de ti, meu querido e inesquecível Alex. Através da tua memória, amo todos e cada um dos teus irmãos, cada qual a seu modo. Porque teu amor me transformou. Busco nessa minha saudade sem fim o teu olhar em todos os olhares doces e meigos que encontro. E mesmo sabendo que nada te trará de volta, porque a morte é inexorável como o destino e o tempo, revivo, nesta minha dor sem fim, toda a esperança que eu não tenho.



24 de março de 2018

Andando por aí

nas calçadas sobre as quais se abrem esses infinitos.

23 de março de 2018

Ingredientes do Urbano

Quando se olha para lugar nenhum, pode-se ver tudo aquilo pelo que não se esperava. Esses planos, essas perspectivas inesperadas, onde coqueiros, pedestres e bicicletas se misturam na cidade como ingredientes do urbano.

22 de março de 2018

Sensibilidades


"As sensibilidades seriam, pois, as formas pelas quais indivíduos e grupos se dão a perceber, comparecendo como um reduto de representação da realidade através das emoções e dos sentidos. Nesta medida, as sensibilidades não só comparecem no cerne do processo de representação do mundo, como correspondem, para o historiador da cultura, àquele objeto a capturar no passado, à própria energia da vida. Sensibilidades se exprimem em atos, em ritos, em palavras e imagens, em objetos da vida material, em materialidades do espaço construído. Falam, por sua vez, do real e do não real, do sabido e do desconhecido, do intuído ou pressentido ou do inventado. Sensibilidades remetem ao mundo do imaginário, da cultura e seu conjunto de significações construído sobre o mundo. Mesmo que tais representações sensíveis se refiram a algo que não tenha existência real ou comprovada, o que se coloca na pauta de análise é a realidade representação. Sonhos e medos, por exemplo, são realidades enquanto sentimento, mesmo que suas razões ou motivações, no caso, não tenham consistência real".[1]




[1] PESAVENTO, Sandra Jatahy. História e história cultural. Belo Horizonte: Autêntica, 2003, p. 58, in WEBER SANTOS, Nádia Maria, A sensibilidade na vida e obr da historiadora Sandra Pesavento. A questão da interdisciplinaridade, postura crítica e a História Cultural. Fenix, Revista de História e Estudos Culturais, Vol V6, ano VI, n. 3, http://www.revistafenix.pro.br/vol20nadia.php, acesso em 24/07/2011.