7 de agosto de 2011

Sobras



Coisa mais estranha essas sobras que encontrei numa lareira. Restos de um rito, com certeza. Cinzas, dois cigarros, uma flor que não queimou, sobras enfim. E eu então fiz esta foto, mas nada me ocorreu quanto ao Era uma vez que teve lugar ali.

4 de agosto de 2011

Amor e Memória

Ora, as recordações de amor não fazem exceção às leis gerais da memória, elas próprias regidas pelas leis mais gerais do hábito. Como este enfraquece tudo, o que nos recorda melhor uma criatura é justamente o que tínhamos esquecido, porque era insignificante e assim lhe havíamos deixado toda sua força. Porque a melhor parte de nossa memória está fora de nós, numa brisa chuvosa, num cheiro de quarto fechado, ou no odor de uma primeira labareda, em toda parte encontramos de nós mesmos o que nossa inteligência rejeitara, por julgá-lo a última reserva do passado, a melhor, aquela que, quando todas as nossas lágrimas parecem ter secado, sabe nos fazer chorar ainda.
PROUST, Marcel. Em busca do tempo perdido, Parte II, À sombra das moças em flor, trad. Fernando Py, ISBN 857110770X, 2004, disponível em http://pt.scribd.com/doc/7233252/Marcel-Proust-Em-Busca-Do-Tempo-Perdido, acesso em 26 de junho de 2011.

24 de julho de 2011

A Complexidade do Real

O que me interessa não é uma síntese, mas um pensamento transdisciplinar, um pensamento que não se quebre nas fronteiras entre as disciplinas. O que me interessa é o fenômeno multidimensional, e não a disciplina que recorda uma dimensão desse fenômeno. Tudo o que é humano é, ao mesmo tempo, psíquico, sociológico, econômico, histórico, demográfico. É importante que esses aspectos não sejam separados, mas sim que concorram para uma visão poliocular. O que me estimula é ocultar o menos possível a complexidade do real.
MORIN, Edgar. Idéias contemporâneas. Entrevistas do Le Monde.São Paulo: Atica, 1989, p. 35, in PESAVENTO, Sandra, O imaginário da cidade: visões literárias do urbano – Paris, Rio de Janeiro, Porto Alegre. Ed. Universidade/UFGRS, 1999, p. 9.

16 de julho de 2011

Preferência

Antes loucura lúcida que sanidade embotada.