17 de outubro de 2010
Confiança
Aprendizado. Outros sentimentos por mais ardentes que sejam podem até se tornarem banais com o tempo. Mesmo prosaicos. Mudam, mudam-se, desgastam-se. Até aumentam de tamanho às vezes. Vão de um a dez, mesmo de um a cem. Mas confiança nunca sofre desgastes. Ou é inteira ou não é nada. A confiança é pragmática. Por isso algumas profissões implicam sempre em sigilo, sigilo que até a Lei protege e resguarda. Há um pacto nisso, e todo pacto é sagrado, ao menos no imaginário da humanidade há gerações e gerações. Feliz daquele que tem alguém a quem pode confiar um segredo, uma aberração, um sentido, uma dolorosa fraqueza, uma dor ou uma alegria. Ao longo da vida, encontramos todos os sentimentos uma vez ou outra, mas o mais raro e precioso dentre todos aqueles que o coração humano é capaz de abrigar é, sem dúvida alguma, a confiança. Encontrar alguém, uma só pessoa que seja ao longo de toda a vida, capaz de merecer a nossa confiança equivale a encontrar um tesouro.
Versos Íntimos
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Augusto dos Anjos
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Augusto dos Anjos
13 de outubro de 2010
Sentimento, razão e experiência
O método experimental apóia-se sucessivamente sobre o sentimento, a razão e a experiência. O sentimento engendra a idéia ou a hipótese experimental, quer dizer, a interpretação antecipada dos fenômenos da natureza. Toda iniciativa experimental está na idéia, porque é ela que provoca a experiência. A razão ou o raciocínio servem apenas para deduzir as conseqüências desta idéia e submetê-las à experiência.
Claude Bernard
Claude Bernard
Crer na ciência
A primeira condição que deve preencher um sábio que se entregue à investigação dos fenômenos naturais é a de conservar uma inteira liberdade de espírito assentada sobre a dúvida filosófica. Não é preciso, todavia, ser cético; é preciso crer na ciência, ou seja, no determinismo, em relação ao absoluto e necessário das coisas, tanto quanto nos fenômenos próprios aos seres vivos quanto a todos os outros; mas é preciso, ao mesmo tempo, estar muito convencido de que nós não temos essa relação senão que de uma maneira mais ou menos aproximativa, e que as teorias que nós possuímos estão longe de representar verdades imutáveis. Quando nós fazemos uma teoria, geral em nossas ciências, a única coisa da qual nós estamos certos é de que todas essas teorias são falsas absolutamente falando. Elas não são senão verdades parciais e provisórias que nos são necessárias, como graus sobre os quais nós repousamos para avançar na investigação; elas não representam senão que o estado atual de nossos conhecimentos, e, por conseqüência, elas deverão se modificar com o crescimento da ciência, e tanto mais freqüentemente quanto as ciências estejam menos avançadas em sua evolução. De um outro lado, nossas idéias, assim como dissemos, nos vêm à vista de fatos que foram previamente observados e que nós interpretamos a seguir. Ora, causas de inúmeros erros podem introduzir-se em nossas observações, e malgrado toda nossa atenção e nossa sagacidade, não estamos jamais seguros de haver visto tudo, porque freqüentemente os meios de constatação nos faltam ou são muito imperfeitos. De tudo isso resulta, pois, que, se o raciocínio nos guia na ciência experimental, ele não nos impõe necessariamente suas conseqüências. Nosso espírito pode sempre permanecer livre para aceita-las ou discuti-las. Se uma idéia se apresenta a nós, não devemos repeli-la unicamente porque ela não esta de acordo com as conseqüências lógicas de uma teoria reinante. Podemos seguir nosso sentimento e nossa idéia, dar curso a nossa imaginação, visto que todas as nossas idéias são apenas pretextos para instituir novas experiências que possam nos fornecer fatos probantes ou inesperados e fecundos.
Claude Bernard
Claude Bernard
Falta pouco
Falta muito pouco para ver-se o mundo do lado de dentro da torre do castelo... Ou para se fechar a cortina e simplesmente não ver. Para que o mundo? O mundo, neste nosso caso, é um detalhe meramente circunstancial.
Contagem Regressiva
Não faltam muitos dias agora. Ainda assim, é como se o tempo passasse cada vez mais devagar. Deve ser para que se pense melhor. Para que se veja melhor.
12 de outubro de 2010
11 de outubro de 2010
Indústria da Cultura
O mundo fica cada vez mais espetacularmente feio.
8 de outubro de 2010
Assinar:
Postagens (Atom)