Minhálma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és se quer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio do Fim!..."
Florbela Espanca (1894-1930)
26 de agosto de 2010
25 de agosto de 2010
22 de agosto de 2010
21 de agosto de 2010
Panorama Além
Não sei que tempo faz, nem se é noite ou se é dia.
Não sinto onde é que estou, nem se estou. Não sei de nada.
Nem de ódio, nem amor. Tédio? Melancolia.
-Existência parada. Existência acabada.
Nem se pode saber do que outrora existia.
A cegueira no olhar. Toda a noite calada
no ouvido. Presa a voz. Gesto vão. Boca fria.
A alma, um deserto branco: -o luar triste na geada...
Silêncio. Eternidade. Infinito. Segredo.
Onde, as almas irmãs? Onde, Deus? Que degredo!
Ninguém.... O ermo atrás do ermo: - é a paisagem daqui.
Tudo opaco... E sem luz... E sem treva... O ar absorto...
Tudo em paz... Tudo só... Tudo irreal... Tudo morto...
Por que foi que eu morri? Quando foi que eu morri?
Não sinto onde é que estou, nem se estou. Não sei de nada.
Nem de ódio, nem amor. Tédio? Melancolia.
-Existência parada. Existência acabada.
Nem se pode saber do que outrora existia.
A cegueira no olhar. Toda a noite calada
no ouvido. Presa a voz. Gesto vão. Boca fria.
A alma, um deserto branco: -o luar triste na geada...
Silêncio. Eternidade. Infinito. Segredo.
Onde, as almas irmãs? Onde, Deus? Que degredo!
Ninguém.... O ermo atrás do ermo: - é a paisagem daqui.
Tudo opaco... E sem luz... E sem treva... O ar absorto...
Tudo em paz... Tudo só... Tudo irreal... Tudo morto...
Por que foi que eu morri? Quando foi que eu morri?
Cecília Meireles
19 de agosto de 2010
Coisas que esperam por você só em São Paulo
O que espera por você em São Paulo e que não consegue antever? Coisas simples, triviais, sem mistérios ou mesmo necessidade de revelações. Hospedagem em um hotel na Avenida Ipiranga, quase próximo à esquina com a Avenida São João, que fica perto do Edifício Itália, que fica em frente à Praça da República, a mesma onde se instala a Secretaria da Educação e Cultura, no mesmo prédio que um dia foi a Escola Normal de São Paulo, que anfitriou o laboratório de Pizzoli. Perto, também, da Biblioteca Pública Municipal, do Teatro Municipal, da Estação da Luz, da Pinacoteca do Estado, do Forum João Mendes, em torno do qual estão os sebos, e que dá início ao bairro da Liberdade, habitado pela colônia japonesa, onde se come sukiaki. Perto também da 25 de Março, que termina no Parque D. Pedro II, que é onde fica o Mercado Municipal, onde se come pastéis e se prova de tudo. Não muito longe do Bixiga, onde se come massas e se compra pão italiano na Casa Santo Domingos, que fica ao lado de vários teatros. Perto da Santa Ifigênia, que não é longe do Largo do Arouche, que fica ao lado da Estação República do Metro, de onde se pode ir para norte ou sul, do Tucuruvi ao Jabaquara, ou mesmo para a Estação Sé, que permite acesso a linha leste-oeste, podendo se ir da Barra Funda até Itaquera, ou até a Estação Paraíso, de onde se muda para a linha verde, que passa pela Avenida Paulista, onde está o Masp, bem ao lado da Estação Trianon, que fica em frente ao Parque Trianon, de onde se pode ir até a Rua Augusta, que descendo nos leva mais uma vez a Praça da República, de onde se atravessa o Viaduto do Chá, que passa por cima do Vale do Anhangabaú, e se chega ao sebo de seu Luis, que fica perto do Pátio do Colégio, onde tem aquele café que você gosta, ao lado do Mosteiro de São Bento. São coisas como essas que esperam por você...RC
15 de agosto de 2010
Escravos e Livres
Todos os homens se dividem, como em todos os tempos até nossos dias, em escravos e livres; pois quem não tiver para si dois terços de seu dia é um escravo, seja ele, de resto, o que quiser: político, comerciante, funcionário, erudito.
Nietzsche
Nietzsche
12 de agosto de 2010
Não digas
Não digas onde acaba o dia.
Onde começa a noite.
Não fales palavras vãs.
As palavras do mundo.
Não digas onde começa a Terra,
Onde termina o céu
Não digas até onde és tu.
Não digas desde onde és Deus.
Não fales palavras vãs.
Desfaze-te da vaidade triste de falar.
Pensa,completamente silencioso,
Até a glória de ficar silencioso,
Sem pensar.
Cecília Meireles
Onde começa a noite.
Não fales palavras vãs.
As palavras do mundo.
Não digas onde começa a Terra,
Onde termina o céu
Não digas até onde és tu.
Não digas desde onde és Deus.
Não fales palavras vãs.
Desfaze-te da vaidade triste de falar.
Pensa,completamente silencioso,
Até a glória de ficar silencioso,
Sem pensar.
Cecília Meireles
8 de agosto de 2010
Adeus
7 de agosto de 2010
6 de agosto de 2010
É preciso falar...
para não dizer nada.
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