27 de agosto de 2009
A Travessia
26 de agosto de 2009
Lombroso, sobre crianças
“Está, pois, demostrado que um certo número de criminosos são tais desde a primeira infância, qualquer que seja a parte devida às causas hereditárias. Digamos melhor: se alguns são produto de uma má educação, em outros, a boa não influi em nada. Todavia, sua ação benfazeja é, precisamente, iluminar este fato, qual seja, o de que as tendências criminais são gerais entre as crianças, de sorte que, sem a educação, não saberíamos explicar o fenômeno que se produz no maior número de casos, e que nós chamaremos sua metamorfose normal. De resto, por educação, não entendemos as simples instruções teóricas, raramente úteis aos próprios adultos, aos quais vemos tão pouco influenciados pela literatura, a eloqüência, as artes ditas moralizadoras. Por educação entendemos, menos ainda, as violências pedagógicas que, freqüentemente, engendram os hipócritas e, longe de mudar o vício em virtude, transformam-na em outro vício. A educação é, para nós, uma série de impulsos reflexos, que lentamente substituem outros que engendram diretamente as tendências depravadas, ou, ao menos, favorecem seu desenvolvimento. Devemos, para isso, socorrer-nos da imitação, dos hábitos gradualmente introduzidos pelo convívio com pessoas honestas e por precauções sabiamente tomadas para impedir a idéia fixa que vimos tornar-se tão fatal na infância, jorrando em terreno muito fértil. Agora, ainda, a pena, por ela mesma, não se mostra tão eficaz quanto certos meios preventivos, tais como as condições favoráveis de arejamento, iluminação e de espaço, uma nutrição onde faremos predominar, por exemplo, as substâncias vegetais, com privação de bebidas alcoólicas, em completa abstinência e, em certos casos, uma ginástica sexual preventiva de excessos solitários. Os meios preventivos importam em evitar os ciúmes fáceis para impedir as violências impulsivas; reprimir o orgulho precoce por meio de provas palpáveis, – tão fáceis de encontrar e de produzir, – da inferioridade humana, sobretudo na infância. Importam, ainda, em cultivar a inteligência pela via dos sentidos, e o coração pela via da inteligência, como o faz, de modo tão admirável, o sistema de Froebel. Há crianças tristes, violentas, levadas à masturbação em razão de doenças, de raquitismo, ou por causa de vermes, etc. Os depurativos, os vermífugos tornam-se, então, os únicos meios de correção.”
Fonte: LOMBROSO, César. O Homem Delinqüente, Ricardo Lenz Editor, Porto Alegre, 2001.
Fonte: LOMBROSO, César. O Homem Delinqüente, Ricardo Lenz Editor, Porto Alegre, 2001.
As Tatuagens
Estudamos esta questão no trabalho feito em 1881, no laboratório de Medicina Legal da Faculdade de Lyon e no artigo Tatouage do Dicionário de Dechambre (Lyon, 1900). Existe a tatuagem quando materiais corantes, vegetais ou minerais, são introduzidos sob a epiderme a profundidades variáveis, com a finalidade de produzir uma coloração ou desenhos aparentes de longa duração, apesar de não absolutamente indeléveis. Mostramos, em nossa publicação, a influência da idade, do sexo, da profissão e o fato de ver-se a importância médico-legal das tatuagens de acordo com seu local e suas características exteriores. Nesse último ponto de vista, deve-se distinguir a data da tatuagem e o desenho propriamente dito. Em nosso país, os tatuadores fazem uso de nanquim e de vermelhão; o carvão de madeira moído e diluído em água, a tinta azul são às vezes empregados; mais raramente, faz-se uso do azul da prússia ou do azul de lavanderia. Para marcar o desenho, o tatuador emprega agulhas freqüentemente muito finas: estas agulhas, em número de 3, de 5 ou de 10 são mantidas num mesmo nível com a ajuda de fios e fixadas na extremidade de um pedaço de madeira. Os bons tatuadores fazem uma primeira picada, inserindo obliquamente as agulhas a uma profundidade de meio milímetro e muito raramente determinam uma perda de sangue. Freqüentemente, não fazem mais que uma única inserção; talvez o desenho seja repicado uma segunda vez, a fim de exibir contornos aparentes. A operação termina, a superfície da tatuagem é lavada com água, saliva ou urina.
Observamos mais de 2.500 tatuagens. Eis nosso método. A tela transparente é aplicada sobre a parte a ser tatuada. O desenho aparece muito nítido e é fácil seguir seus contornos com um lápis ordinário. Tem-se assim a reprodução matemática da imagem que se torna muito visível quando a tela é posta sobre uma folha de papel branco. Passa-se então aos traços a tinta azul ou vermelha, segundo uma ou outra coloração. Feito isso, a tela é afixada sobre um cartão, cuja dimensão varia segundo o tamanho da tatuagem.
Dividimos as tatuagens, segundo a imagem que representam, em 7 categorias distintas: emblemas patrióticos e religiosos; profissionais; inscrições; militares; metáforas; amores e erotismo; fantasistas e históricas. As tatuagens podem se apagar ou desaparecer, de acordo com a matéria corante empregada: é certo que o nanquim é a substância mais indelével, enquanto que o vermelhão é a menos tenaz. Procura-se fazer desaparecer as tatuagens para desembaraçar-se de um sinal de identidade comprometedor. Tem-se feito uso de substâncias vesicantes, que fazem aparecer bolhas sobre a pele, combinadas com a aplicação matérias quentes ou tópicos de natureza cáustica. Tardieu pretendeu que, com a ajuda de certos meios químicos, se poderia fazer desaparecer as tatuagens. Pensamos que, na maior parte dos casos, qualquer que seja o procedimento empregado, provoca-se assim uma cicatriz aparente que dissimula a tatuagem, mas que, do ponto de vista médico-legal, é também um sinal indiscutível da própria tatuagem. Insistimos sobre as tatuagens substituídas ou sobrepostas que chamamos transformadas ou sobrecarregadas para indicar sob quais condições haviam sido feitas. Sobre o cadáver, mesmo que a putrefação ou uma causa acidental haja removido a pele, dever-se-ia examinar com cuidado o estado dos vasos linfáticos e dos gânglios da região, para procurar a matéria corante. Como se vê, as tatuagens têm um grande valor médico-legal. São cicatrizes ideográficas coloridas pela introdução de substências corantes nas malhas do tecido sub-epidérmico.
Conseqüências médido-judiciárias e regras periciais. Na apreciação desses ferimentos, deve-se ter em conta: a extensão do dano, a qualidade do ferimento, a intenção de ferir.
A tatuagem é uma manifestação estética do meio social
Fonte: LACASSAGNE, A.. Précis de Médecine Légale, Masson, Paris, 1909.
Observamos mais de 2.500 tatuagens. Eis nosso método. A tela transparente é aplicada sobre a parte a ser tatuada. O desenho aparece muito nítido e é fácil seguir seus contornos com um lápis ordinário. Tem-se assim a reprodução matemática da imagem que se torna muito visível quando a tela é posta sobre uma folha de papel branco. Passa-se então aos traços a tinta azul ou vermelha, segundo uma ou outra coloração. Feito isso, a tela é afixada sobre um cartão, cuja dimensão varia segundo o tamanho da tatuagem.
Dividimos as tatuagens, segundo a imagem que representam, em 7 categorias distintas: emblemas patrióticos e religiosos; profissionais; inscrições; militares; metáforas; amores e erotismo; fantasistas e históricas. As tatuagens podem se apagar ou desaparecer, de acordo com a matéria corante empregada: é certo que o nanquim é a substância mais indelével, enquanto que o vermelhão é a menos tenaz. Procura-se fazer desaparecer as tatuagens para desembaraçar-se de um sinal de identidade comprometedor. Tem-se feito uso de substâncias vesicantes, que fazem aparecer bolhas sobre a pele, combinadas com a aplicação matérias quentes ou tópicos de natureza cáustica. Tardieu pretendeu que, com a ajuda de certos meios químicos, se poderia fazer desaparecer as tatuagens. Pensamos que, na maior parte dos casos, qualquer que seja o procedimento empregado, provoca-se assim uma cicatriz aparente que dissimula a tatuagem, mas que, do ponto de vista médico-legal, é também um sinal indiscutível da própria tatuagem. Insistimos sobre as tatuagens substituídas ou sobrepostas que chamamos transformadas ou sobrecarregadas para indicar sob quais condições haviam sido feitas. Sobre o cadáver, mesmo que a putrefação ou uma causa acidental haja removido a pele, dever-se-ia examinar com cuidado o estado dos vasos linfáticos e dos gânglios da região, para procurar a matéria corante. Como se vê, as tatuagens têm um grande valor médico-legal. São cicatrizes ideográficas coloridas pela introdução de substências corantes nas malhas do tecido sub-epidérmico.
Conseqüências médido-judiciárias e regras periciais. Na apreciação desses ferimentos, deve-se ter em conta: a extensão do dano, a qualidade do ferimento, a intenção de ferir.
A tatuagem é uma manifestação estética do meio social
Fonte: LACASSAGNE, A.. Précis de Médecine Légale, Masson, Paris, 1909.
Sólon
Sólon, fundador da democracia e um dos grandes sábios da Grécia, nasceu em Atenas no ano 640 a .C. Entre algumas medidas de resguardo à liberdade, Sólon proibiu a escravidão por dívida, aboliu a hipoteca sobre pessoas e bens e libertou os pequenos proprietários que se encontravam escravizados, implantou reformas políticas e regulamentou o exercício do poder nas diversas categorias sociais. Seu programa político era veiculado sob a forma de poemas, restando hoje apenas fragmentos e citações. Sólon morreu por volta de 560 a .C.
Suicídio
Sobre esse tema, encontra-se um apanhado da época num interessante livro escrito pelo Dr. Élie Metchnikoff, que foi subdiretor do Instituto Pasteur. A obra chama-se Essais Optimistes, 2ª edição, A. Maloine, Paris, 1914. A propósito das causas do suicídio, relata: “Se, de um lado, os filósofos e os poetas pessimistas refletem as opiniões e os sentimentos de seus contemporâneos, é incontestável que, de outro, eles influenciam muito seus leitores. Assim foi enraizada uma concepção pessimista da vida, de acordo com a qual a existência humana não é senão uma série de infelicidades não compensadas pelo bem. É muito provável que tais idéias tenham tido sua parte na extensão dos suicídios nos tempos modernos. Se bem que se conheçam ainda muito pouco os motivos íntimos da maior parte dos suicídios, não se pode negar, todavia, que a concepção geral da vida aí deva desempenhar um importante papel. De acordo com a estatística, o maior número dos suicídios é posto na conta da ‘hipocondria, da melancolia, do tédio de viver, da alienação mental’. Assim, segundo os dados da estatística dinamarquesa (sabe-se que a Dinamarca é um país onde o suicídio é muito freqüente), sobre 1.000 casos de morte voluntária de homens, sobrevindos no período de 1886 a 1895, 224, quer dizer, um quarto são atribuíveis ao conjunto de causas que acabamos de mencionar. A cifra correspondente para as mulheres é ainda mais elevada, porque compreende quase a metade dos suicídios (403 para 1.000). O segundo lugar entre os homens é ocupado pelo alcoolismo que ocasionou 164 suicídios em 1.000 (dados tomados a Westergaard). Ora, é muito provável que, nas duas categorias de causas, os suicídios fossem produzidos por um fundo pessimista. Deduzidos os verdadeiros alienados entre os melancólicos, os hipocondríacos, os entediados da vida, deve restar um número considerável de pessoas nas quais o estado mental não era patológico no estrito sentido da palavra, mas que se deram à morte porque tinham uma concepção pessimista da vida. Entre as pessoas que se envenenaram, houve muitas que o fizeram porque estavam persuadidas de que a vida é má demais para ser conservada. O aumento progressivo dos suicídios nos tempos modernos, constatado pela estatística, indica, por sua vez, a importância das teorias pessimistas. Chegou-se a ir até mesmo à sociedade dos amigos do suicídio. Relata-se que, numa semelhante sociedade, fundada no início do último século em Paris, reunia-se um certo número de pessoas que punham seus nomes numa urna para tirarem a sorte. Aquele cujo nome fosse sorteado devia suicidar-se na presença dos demais sócios. De acordo com os estatutos, a sociedade não aceitava em seu seio senão pessoas honoráveis que deveriam ter passado pela experiência ‘da injustiça dos homens, da ingratidão de um amigo, da infidelidade da esposa ou da amante, acima de tudo, deveriam, desde há anos, ter experimentado um sentimento de vazio na alma e um desprazer de tudo aquilo que pode apresentar este mundo’(Dieudonne, Archiv. für Kulturgeschichte, 1903, tomo I, p. 357). Uma concepção pessimista da vida constituía, pois, a base dessa determinação fatal.”
20 de agosto de 2009
18 de agosto de 2009
O Mestre La Bruyére
Viver com seus inimigos como se eles fossem se tornar um dia nossos amigos, e viver com nossos amigos como se eles pudessem tornar-se nossos inimigos, não é segundo a natureza do ódio, nem segundo as regras da amizade: não é uma máxima moral, mas política.
O autor dessa passagem, Jean de La Bruyère, nasceu em Paris, em 16 de agosto de 1645 e foi um dos maiores nomes do classicismo francês. Recebeu sólida educação humanística e estudou Direito em Orléans. Em 1684, graças à intervenção do teólogo e humanista Jacques-Bénigne Bossuet, foi designado preceptor do duque Luís de Bourbon e permaneceu a serviço deste como bibliotecário do castelo de Chantilly. O contato direto com o mundo da corte forneceu-lhe material para a redação da obra que o tornou célebre: Les Caractères de Théophraste Traduits du Grec avec les Caractères ou les Moeurs de ce Siècle, 1688, Embora de início concebida como uma tradução do autor grego Teofrasto, a obra notabilizou-se por um apêndice, redigido por La Bruyère, que constituía não apenas valioso quadro dos costumes sociais, mas também uma profunda análise do comportamento humano. O método empregado por La Bruyère consistiu em definir diversas qualidades e depois personificá-las por meio de um estilo preciso e satírico, adequado para sua crítica do relaxamento moral da época. Exemplifiquemos: Certos homens, contentes consigo mesmos de qualquer ação ou obra em que não foram mal sucedidos, e tendo ouvido dizer que a modéstia fica bem aos grandes, ousam ser modestos, imitando os simples e os sinceros: assemelham-se às pessoas de estatura meã, que se baixam ao passar uma porta, receando bater a cabeça. Ou ainda: Não há gesto, por mais simples, natural e espontâneo, que não revele a nossa personalidade. Um imbecil não entra nem sai; não senta nem se põe de pé; não fala nem se cala do mesmo modo que um homem inteligente.
Por aí pode-se bem compreender a razão pela qual o Dr. Richet, muito falado aui neste blog, chamou mestre a La Bruyére, para quem a profunda ignorância inspira o tom dogmático... La Bruyère morreu em Versalhes, em 10 ou 11 de maio de 1696.
Fonte: Encyclopaedia Britannica do Brasil; Décio Valente, Seleta Filosófica, Apólogos, Pensamentos e Reflexões, Ed. “O Livreiro”, São Paulo, 3ª edição, 1958; Les Caractères – Extraits, Librairie Laousse, Paris, s/data.
O autor dessa passagem, Jean de La Bruyère, nasceu em Paris, em 16 de agosto de 1645 e foi um dos maiores nomes do classicismo francês. Recebeu sólida educação humanística e estudou Direito em Orléans. Em 1684, graças à intervenção do teólogo e humanista Jacques-Bénigne Bossuet, foi designado preceptor do duque Luís de Bourbon e permaneceu a serviço deste como bibliotecário do castelo de Chantilly. O contato direto com o mundo da corte forneceu-lhe material para a redação da obra que o tornou célebre: Les Caractères de Théophraste Traduits du Grec avec les Caractères ou les Moeurs de ce Siècle, 1688, Embora de início concebida como uma tradução do autor grego Teofrasto, a obra notabilizou-se por um apêndice, redigido por La Bruyère, que constituía não apenas valioso quadro dos costumes sociais, mas também uma profunda análise do comportamento humano. O método empregado por La Bruyère consistiu em definir diversas qualidades e depois personificá-las por meio de um estilo preciso e satírico, adequado para sua crítica do relaxamento moral da época. Exemplifiquemos: Certos homens, contentes consigo mesmos de qualquer ação ou obra em que não foram mal sucedidos, e tendo ouvido dizer que a modéstia fica bem aos grandes, ousam ser modestos, imitando os simples e os sinceros: assemelham-se às pessoas de estatura meã, que se baixam ao passar uma porta, receando bater a cabeça. Ou ainda: Não há gesto, por mais simples, natural e espontâneo, que não revele a nossa personalidade. Um imbecil não entra nem sai; não senta nem se põe de pé; não fala nem se cala do mesmo modo que um homem inteligente.
Por aí pode-se bem compreender a razão pela qual o Dr. Richet, muito falado aui neste blog, chamou mestre a La Bruyére, para quem a profunda ignorância inspira o tom dogmático... La Bruyère morreu em Versalhes, em 10 ou 11 de maio de 1696.
Fonte: Encyclopaedia Britannica do Brasil; Décio Valente, Seleta Filosófica, Apólogos, Pensamentos e Reflexões, Ed. “O Livreiro”, São Paulo, 3ª edição, 1958; Les Caractères – Extraits, Librairie Laousse, Paris, s/data.
17 de agosto de 2009
A Paixão Segundo GH
Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação. Como é que se explica que o meu maior medo seja exatamente em relação: a ser? e no entanto não há outro caminho. Como se explica que o meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que for sendo? como é que se explica que eu não tolere ver, só porque a vida não é o que eu pensava e sim outra como se antes eu tivesse sabido o que era! Por que é que ver é uma tal desorganização? E uma desilusão. Mas desilusão de quê? se, sem ao menos sentir, eu mal devia estar tolerando minha organização apenas construída? Talvez desilusão seja o medo de não pertencer mais a um sistema. No entanto se deveria dizer assim: ele está muito feliz porque finalmente foi desiludido. O que eu era antes não me era bom. Mas era desse não-bom que eu havia organizado o melhor: a esperança. De meu próprio mal eu havia criado um bem futuro. O medo agora é que meu novo modo não faça sentido? Mas por que não me deixo guiar pelo que for acontecendo? Terei que correr o sagrado risco do acaso. E substituirei o destino pela probabilidade.
Clarice Lispector
Clarice Lispector
16 de agosto de 2009
Saudade
Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.Clarice Lispector
Quarto Motivo da Rosa

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.
Cecília Meireles
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