26 de agosto de 2009
Sólon
Sólon, fundador da democracia e um dos grandes sábios da Grécia, nasceu em Atenas no ano 640 a .C. Entre algumas medidas de resguardo à liberdade, Sólon proibiu a escravidão por dívida, aboliu a hipoteca sobre pessoas e bens e libertou os pequenos proprietários que se encontravam escravizados, implantou reformas políticas e regulamentou o exercício do poder nas diversas categorias sociais. Seu programa político era veiculado sob a forma de poemas, restando hoje apenas fragmentos e citações. Sólon morreu por volta de 560 a .C.
Suicídio
Sobre esse tema, encontra-se um apanhado da época num interessante livro escrito pelo Dr. Élie Metchnikoff, que foi subdiretor do Instituto Pasteur. A obra chama-se Essais Optimistes, 2ª edição, A. Maloine, Paris, 1914. A propósito das causas do suicídio, relata: “Se, de um lado, os filósofos e os poetas pessimistas refletem as opiniões e os sentimentos de seus contemporâneos, é incontestável que, de outro, eles influenciam muito seus leitores. Assim foi enraizada uma concepção pessimista da vida, de acordo com a qual a existência humana não é senão uma série de infelicidades não compensadas pelo bem. É muito provável que tais idéias tenham tido sua parte na extensão dos suicídios nos tempos modernos. Se bem que se conheçam ainda muito pouco os motivos íntimos da maior parte dos suicídios, não se pode negar, todavia, que a concepção geral da vida aí deva desempenhar um importante papel. De acordo com a estatística, o maior número dos suicídios é posto na conta da ‘hipocondria, da melancolia, do tédio de viver, da alienação mental’. Assim, segundo os dados da estatística dinamarquesa (sabe-se que a Dinamarca é um país onde o suicídio é muito freqüente), sobre 1.000 casos de morte voluntária de homens, sobrevindos no período de 1886 a 1895, 224, quer dizer, um quarto são atribuíveis ao conjunto de causas que acabamos de mencionar. A cifra correspondente para as mulheres é ainda mais elevada, porque compreende quase a metade dos suicídios (403 para 1.000). O segundo lugar entre os homens é ocupado pelo alcoolismo que ocasionou 164 suicídios em 1.000 (dados tomados a Westergaard). Ora, é muito provável que, nas duas categorias de causas, os suicídios fossem produzidos por um fundo pessimista. Deduzidos os verdadeiros alienados entre os melancólicos, os hipocondríacos, os entediados da vida, deve restar um número considerável de pessoas nas quais o estado mental não era patológico no estrito sentido da palavra, mas que se deram à morte porque tinham uma concepção pessimista da vida. Entre as pessoas que se envenenaram, houve muitas que o fizeram porque estavam persuadidas de que a vida é má demais para ser conservada. O aumento progressivo dos suicídios nos tempos modernos, constatado pela estatística, indica, por sua vez, a importância das teorias pessimistas. Chegou-se a ir até mesmo à sociedade dos amigos do suicídio. Relata-se que, numa semelhante sociedade, fundada no início do último século em Paris, reunia-se um certo número de pessoas que punham seus nomes numa urna para tirarem a sorte. Aquele cujo nome fosse sorteado devia suicidar-se na presença dos demais sócios. De acordo com os estatutos, a sociedade não aceitava em seu seio senão pessoas honoráveis que deveriam ter passado pela experiência ‘da injustiça dos homens, da ingratidão de um amigo, da infidelidade da esposa ou da amante, acima de tudo, deveriam, desde há anos, ter experimentado um sentimento de vazio na alma e um desprazer de tudo aquilo que pode apresentar este mundo’(Dieudonne, Archiv. für Kulturgeschichte, 1903, tomo I, p. 357). Uma concepção pessimista da vida constituía, pois, a base dessa determinação fatal.”
20 de agosto de 2009
18 de agosto de 2009
O Mestre La Bruyére
Viver com seus inimigos como se eles fossem se tornar um dia nossos amigos, e viver com nossos amigos como se eles pudessem tornar-se nossos inimigos, não é segundo a natureza do ódio, nem segundo as regras da amizade: não é uma máxima moral, mas política.
O autor dessa passagem, Jean de La Bruyère, nasceu em Paris, em 16 de agosto de 1645 e foi um dos maiores nomes do classicismo francês. Recebeu sólida educação humanística e estudou Direito em Orléans. Em 1684, graças à intervenção do teólogo e humanista Jacques-Bénigne Bossuet, foi designado preceptor do duque Luís de Bourbon e permaneceu a serviço deste como bibliotecário do castelo de Chantilly. O contato direto com o mundo da corte forneceu-lhe material para a redação da obra que o tornou célebre: Les Caractères de Théophraste Traduits du Grec avec les Caractères ou les Moeurs de ce Siècle, 1688, Embora de início concebida como uma tradução do autor grego Teofrasto, a obra notabilizou-se por um apêndice, redigido por La Bruyère, que constituía não apenas valioso quadro dos costumes sociais, mas também uma profunda análise do comportamento humano. O método empregado por La Bruyère consistiu em definir diversas qualidades e depois personificá-las por meio de um estilo preciso e satírico, adequado para sua crítica do relaxamento moral da época. Exemplifiquemos: Certos homens, contentes consigo mesmos de qualquer ação ou obra em que não foram mal sucedidos, e tendo ouvido dizer que a modéstia fica bem aos grandes, ousam ser modestos, imitando os simples e os sinceros: assemelham-se às pessoas de estatura meã, que se baixam ao passar uma porta, receando bater a cabeça. Ou ainda: Não há gesto, por mais simples, natural e espontâneo, que não revele a nossa personalidade. Um imbecil não entra nem sai; não senta nem se põe de pé; não fala nem se cala do mesmo modo que um homem inteligente.
Por aí pode-se bem compreender a razão pela qual o Dr. Richet, muito falado aui neste blog, chamou mestre a La Bruyére, para quem a profunda ignorância inspira o tom dogmático... La Bruyère morreu em Versalhes, em 10 ou 11 de maio de 1696.
Fonte: Encyclopaedia Britannica do Brasil; Décio Valente, Seleta Filosófica, Apólogos, Pensamentos e Reflexões, Ed. “O Livreiro”, São Paulo, 3ª edição, 1958; Les Caractères – Extraits, Librairie Laousse, Paris, s/data.
O autor dessa passagem, Jean de La Bruyère, nasceu em Paris, em 16 de agosto de 1645 e foi um dos maiores nomes do classicismo francês. Recebeu sólida educação humanística e estudou Direito em Orléans. Em 1684, graças à intervenção do teólogo e humanista Jacques-Bénigne Bossuet, foi designado preceptor do duque Luís de Bourbon e permaneceu a serviço deste como bibliotecário do castelo de Chantilly. O contato direto com o mundo da corte forneceu-lhe material para a redação da obra que o tornou célebre: Les Caractères de Théophraste Traduits du Grec avec les Caractères ou les Moeurs de ce Siècle, 1688, Embora de início concebida como uma tradução do autor grego Teofrasto, a obra notabilizou-se por um apêndice, redigido por La Bruyère, que constituía não apenas valioso quadro dos costumes sociais, mas também uma profunda análise do comportamento humano. O método empregado por La Bruyère consistiu em definir diversas qualidades e depois personificá-las por meio de um estilo preciso e satírico, adequado para sua crítica do relaxamento moral da época. Exemplifiquemos: Certos homens, contentes consigo mesmos de qualquer ação ou obra em que não foram mal sucedidos, e tendo ouvido dizer que a modéstia fica bem aos grandes, ousam ser modestos, imitando os simples e os sinceros: assemelham-se às pessoas de estatura meã, que se baixam ao passar uma porta, receando bater a cabeça. Ou ainda: Não há gesto, por mais simples, natural e espontâneo, que não revele a nossa personalidade. Um imbecil não entra nem sai; não senta nem se põe de pé; não fala nem se cala do mesmo modo que um homem inteligente.
Por aí pode-se bem compreender a razão pela qual o Dr. Richet, muito falado aui neste blog, chamou mestre a La Bruyére, para quem a profunda ignorância inspira o tom dogmático... La Bruyère morreu em Versalhes, em 10 ou 11 de maio de 1696.
Fonte: Encyclopaedia Britannica do Brasil; Décio Valente, Seleta Filosófica, Apólogos, Pensamentos e Reflexões, Ed. “O Livreiro”, São Paulo, 3ª edição, 1958; Les Caractères – Extraits, Librairie Laousse, Paris, s/data.
17 de agosto de 2009
A Paixão Segundo GH
Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação. Como é que se explica que o meu maior medo seja exatamente em relação: a ser? e no entanto não há outro caminho. Como se explica que o meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que for sendo? como é que se explica que eu não tolere ver, só porque a vida não é o que eu pensava e sim outra como se antes eu tivesse sabido o que era! Por que é que ver é uma tal desorganização? E uma desilusão. Mas desilusão de quê? se, sem ao menos sentir, eu mal devia estar tolerando minha organização apenas construída? Talvez desilusão seja o medo de não pertencer mais a um sistema. No entanto se deveria dizer assim: ele está muito feliz porque finalmente foi desiludido. O que eu era antes não me era bom. Mas era desse não-bom que eu havia organizado o melhor: a esperança. De meu próprio mal eu havia criado um bem futuro. O medo agora é que meu novo modo não faça sentido? Mas por que não me deixo guiar pelo que for acontecendo? Terei que correr o sagrado risco do acaso. E substituirei o destino pela probabilidade.
Clarice Lispector
Clarice Lispector
16 de agosto de 2009
Saudade
Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.Clarice Lispector
Quarto Motivo da Rosa

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.
Cecília Meireles
7 de agosto de 2009
Cigarro. Paixão Proibida

A caça aos fumantes tomou proporções inauditas. Estou estarrecida. Agora é lei. São Paulo proíbe o uso de cigarros e derivados de tabaco em áreas fechadas de uso coletivo, como bares, restaurantes, casas noturnas, escolas, ambiente de trabalho, museus, shoppings, lojas, repartições públicas e táxis. Os “fumódromos” foram abolidos em estabelecimentos comerciais e em ambientes de trabalho. Restam a própria casa, as vias públicas e o ar livre. Áreas comuns de condomínio também não foram liberadas, mas os cultos religiosos foram preservados, de sorte que o indivíduo que receba um “santo” ou uma “entidade” reconhecidamente tabagista poderá acender o seu cigarrinho durante o culto, desde que isso faça parte do ritual. Bem, a perda de glamour do cigarro é indiscutível. Fico chocada ao ler a que ponto chegam as patrulhas, e me assusta pensar qual será o próximo objeto dessa implacável cruzada em prol, dizem, da saúde. E da economia também, pois curar as doenças provocadas pelo cigarro custa muito caro para a sociedade. Bem, os fins sempre justificaram os meios, não é? O jeito será buscar uma nova forma de morrer aos poucos, pois as paixões nos consomem e fumar é uma paixão. Eu que o diga.
Inteirar-me desses fatos, ― tais como o da recente edição da lei paulista que varre o cigarro dos meios de convívio social, ― me faz lembrar que o cigarro foi a maior paixão de minha vida. Por anos e anos eu fumei todos os cigarros que quis. Era ritualístico. Tinha uma linda cigarreira que custou todo o salário de meu primeiro emprego. Gostava de isqueiros e gostava também de provar as novas marcas. Havia Charme e Ella. Havia Eve, com seus elegantes 120 mm e filtro decorado. Infelizmente este não cabia na minha maravilhosa cigarreira... Havia cigarros coloridos enfeitados com um anel dourado. Vinham em lindas caixas, tipo Box. Fumei todos. E fumei ainda os populares. Não vivia sem. Fumar era a primeira coisa que fazia ao acordar e a última, antes de dormir. Uma paixão, um culto, uma oração. E gostava. Gostava imensamente de fazer o tempo parar. Fumava o tempo todo, especialmente ao escrever. Chequei a consumir dois maços e meio por dia. Eu passei assim de 50 para zero de um dia para o outro. Meus lindos cinzeiros de cristal agora estão vazios. O de porcelana chinesa, todo enfeitado, agora serve para que eu coloque nele o meu pesado molho de chaves.
Quem rompe desse modo costuma dizer “parei e pronto”, exibindo sua força de vontade como um halterofilista exibiria os seus músculos. Verdade, eu parei e pronto, mas confesso humildemente que não foi bem assim, fácil como dizem alguns. Eu nunca havia tentado antes. Sempre quis fumar. Porque deixar “dele” é exatamente como vivenciar um luto. É o amigo que se foi, o companheiro, o amor, a paixão, a companhia, o apoio. Que saudade eu sentia! Ficar sem ele foi mergulhar num vazio imenso, experimentar uma ausência monstruosa que nos faz chorar de saudade daqueles momentos que só os fumantes conhecem. A gente não se sente viver. Lembra do cigarro no café, lembra dele depois do jantar, lembra dele quando assiste um filme, quando escreve. Lembra dele na hora de dormir e perde o sono. Acorda pela manhã e não sente vontade de encarar o dia sem “ele”. As esperas. Ah! Os primeiros meses foram enlouquecedores. Eu cheirava os meus cigarros, mas apenas isso. Não os acendia. Em compensação, eu seguia pelas ruas os que acendiam os seus maravilhosos cigarrinhos. Ia bem atrás, aspirando a fumaça. Rondava os fumódromos também, farejando sem disfarçar.
Deixar de fumar foi terrível, até porque não procurei “ajuda especializada”. Os chatos? Nunca! Jamais faria isso. Amava fumar e detestaria ouvir falar mal de cigarros e de fumantes. Sempre detestei ex-fumantes e seus discursos saudáveis. São chatos, chatíssimos, chatérrimos! Fanáticos, nada teriam a ver com o meu luto. Meu caso com “ele” era assunto meu. Também não usei aqueles adesivos nem tomei remédio algum. Não foi fácil. Eu nem lembrava de mim sem o cigarro, pois comecei a fumar antes dos vinte anos. Não me recordava de mim como gente separada do hábito de fumar. Foi uma fase dolorosa. Mas passou.
É inacreditável, eu sei. Mas passou e, se alguém ousasse me dizer que algum dia o cigarro me seria estranho, eu acharia graça e não daria a menor atenção. Mas passou. Olho para cigarros hoje e não sinto vontade de acender um. Entretanto, convivo muito bem com quem fuma, não me desagrada o cheiro, não me desagrada o hábito tampouco, não me desagrada o vício. Simpatizo com fumantes. Não sou mais, é verdade, mas fui um dia e gostava. Não rompi com meu passado. Não fosse o fato de ter ficado doente, não teria deixado de fumar.
Todavia, eu deixei. Fiquei só. A vontade passou, engordei uns quilinhos que, pra falar a verdade, não me ficaram mal. Meu olfato tornou-se poderoso e o paladar aguçou. Caminho hoje 80 quarteirões em um dia sem sentir falta de ar. Subo as escadas do prédio onde morro sem parar no meio do caminho. Vantagens? Pode ser. Sem dúvida, não precisar sair de dentro de um shopping para fumar, não precisar refugiar-se em algum esconderijo para acender um cigarro e dar uma tragada com pressa, como se fosse um crime ou um pecado, são vantagens das quais o fumante não desfruta. É bom não precisar passar por descomposturas, por caras feias, por discursos e sermões encontrados edificantes, despejados sobre nós sem nenhuma reserva pelas patrulhas ideológicas da brigada anti-fumo. Com tanta coisa pior a combater, perseguem-se os inofensivos fumantes. Simples apaixonados como eu fui um dia, que só fazem mal a eles mesmos. Ora, os pulmões são meus, e a tal poluição provocada pela fumaça dos cigarros não é maior nem mais agressiva do que a fumaça que se desprende dos veículos e mesmo dos incensos que tanta gente zen adora usar. Mas fumar agora se tornou praticamente um crime e não há muito que se possa fazer contra a monstruosa força representada pela opinião.
Estranho, porém, é saber hoje que o cigarro me é indiferente. Tanto esforço de vontade, tanta paixão, tanta frustração e saudade por nada. Nem lembro mais de como eu era quando fumava. Também não lembro mais, concretamente, do tipo de prazer que eu encontrava em fumar. Era bom. Só isso. Não sei como esse desprendimento aconteceu, mas aconteceu. Sou indiferente ao cigarro. Ele não me encanta mais e me pergunto que tipo de prazer eu encontrava nessa relação. Estou melhor sem ele? Pode ser que sim, mas essa questão é mais profunda do que parece. Não passei a odiar cigarros nem fumantes. Também não me alistei na cruzada atual. Não devo a nenhuma campanha o fato de haver deixado de fumar, nem meu coração e ouvidos se abriram às pregações. Além do mais, simpatizo com fumantes, essa minoria oprimida que, ao que parece, está desamparada e vivendo uma autêntica paixão proibida.
6 de agosto de 2009
Tipologia Amorosa
Oi! Olha só...Bem, sabes o quanto eu gosto de ler artigos de um cara chamado Alain de BENOIST. Pois é. Descobri um resumo que ele fez sobre tipologia dos estilos amorosos e, na hora, me lembrei do traçado que apontaste como rumo de um trabalho do qual falaste: uma palestra de onde o pessoal sai se conhecendo melhor e sabendo aplicar uma fórmula simples e que já vem prêt-a-penser... O texto está em francês e é curto. Refere-se a seis livros escritos sobre o tema entre 1980 e 1992, e eu vou resumi-lo aqui para ti. O negócio é divertido. Primeiro havia três tipos primários de estilos amorosos:
Eros, o amor romântico e apaixonado;
Ludus, o amor com um componente lúdico; e
Storge, o amor com tendência amical.
Depois vinham mais três tipos secundários:
Mania, o amor fundamentado sobre a possessividade e a dependência;
Pragma, o amor calculador; e
Ágape, o amor altruísta ou sacrificial.
Bom, esses três últimos tipos secundários foram postos em relação com casais de tipos primários: Mania, por exemplo, era considerado como uma mistura de Eros e de Ludus, mesmo sendo qualitativamente diferente de um como de outro. Isso foi investigado dez anos mais tarde por um tal de Hendrick que tentou mesmo criar um instrumento de investigação que permitisse a análise fatorial da realidade e a fiabilidade dessa classificação. Outros estudos mais recentes tentaram descobrir em que medida essas seis categorias de amor diferentes podiam ser postas estatisticamente em relação com traços psicológicos particulares. Uns caras chamados Ian Mallandain et Martin F. Davies selecionaram, então, três traços clássicos de temperamento: a Estima de Si, aEmotividade e a Impulsividade e, agora o mais interessante, eles redefiniram as categorias identificadas antes agora usandofrases-chaves. Ficou assim:
Eros: “Meu parceiro e eu fomos atraídos um em direção ao outro logo que nos vimos”.
Ludus: “Prefiro que meu parceiro não se sinta nunca inteiramente seguro dos sentimentos que tenho por ele”.
Pragma: “Antes de me comprometer em uma relação com alguém, esforço-me primeiro em saber que lugar isso vais ocupar na minha vida”.
Ágape: “Eu sempre tento ajudar meu parceiro em momentos difíceis”
Já a Estima de Si foi medida mediante a concordância ou discordância com frases tais como “estou sempre errado” ou “não tenho uma boa opinião sobre mim mesmo”. A Emotividade, com frases tais como “Estou sempre perturbado” “Tudo que acontece reflete sobre mim” e a Impulsividade, “Sempre acho difícil resistir à tentação”, “passo constantemente de um centro de interesse a outro”.
Sabes o que os caras acharam?
Estima de Si foi encontrada correlata a Eros, ou seja, o amor apaixonado vai de par com um sentido agudo da dificuldade em encontrar um parceiro conforme à imagem ideal que se faz de si, mas exige também uma personalidade capaz de aceitar os riscos inerentes a uma tal situação, mas aparece negativamente em relação à Mania, ou seja, quanto mais os indivíduos se mostram decepcionados pela existência e por eles mesmos, mais eles estão prontos a aceitar não importa que parceiro. Isso até era esperado, mas foi encontrada uma relação negativa também com Storge e Ágape.
Como se esperava também, a Emotividade apareceu associada positivamente à Mania, sendo que o tipo maníaco caracteriza-se por uma propensão ao ciúme possessivo e à necessidade de ser sem cessar assegurado sobre a realidade dos sentimentos do outro. Mas também a Emotividade aparece associada a Ludus, quando se poderia pensar que o fato de “jogar” com os sentimentos do parceiro traduzisse uma menor implicação emotiva na relação. De outra parte, contrariamente àquilo em que se poderia acreditar, a Emoção aparece negativamente correlacionada com Eros.
Como previsto a Impulsividade apareceu correlata positivamente com Ludus, mas também, o que não estava previsto, com Mania.
Com exceção de Eros, mais comum entre os jovens, a idade parece não ter influência sobre a propensão ou a escolha de um tipo amoroso de preferência a outro. No plano sexual, as mulheres aderem mais freqüentemente que os homens a Storge e menos freqüentemente que eles ao tipo Ágape.
Em resumo, acho que está aí uma idéia e tanto para ser desenvolvida ao nível das pessoas comuns. Digo isso, porque essa pesquisa foi realizada com vistas à pesquisa, mas não foi, pelo menos no Brasil, popularizada por meio de um livro, aliás, bem do tipo que se venderia em aeroporto.
Pensa nisso. Ninguém melhor que tu para bolar os quadros de classificação e os escores do processo. É simples e, ao que eu saiba, os conceitos todos são prontos...
Beijos!
Nota: isso é cópia de um e-mail que mandei já faz tempo. Mas guardei, e as traças pegaram.
Assinar:
Postagens (Atom)
