6 de agosto de 2009

Crimes Animais


A informação nos vem de Lombroso, que cita crimes cometidos por animais. Em nota, na obra O Homem Delinqüente, aduz:

A Lei Mosaica (Êxodo, XXI) condenava à morte por apedrejamento o boi que causasse a morte de um homem, e, se o fato se repetisse, também o proprietário. Na Idade Média, condenavam-se os animais homicidas ou perniciosos à agricultura (Lacassagne). Já no reinado de Francisco I, davam-lhes um advogado. Em 1356, em Falaise, uma porca que havia devorado uma criança foi condenada a morrer pela mão do carrasco. O Bispo de Autum escomungou ratos que haviam roído objetos sagrados. Benoist Saint-Prix registra 80 condenações desse gênero, atingindo todo tipo de animais, desde o asno até a cigarra. A municipalidade de Torino comprara da Santa Sé, por intermédio do embaixador, uma maldição contra lagartas, e o bispo, em grande pompa, acompanhado do prefeito e assessores, proclamava-a do alto de um palanque armado na praça do castelo. Os processos desse tipo também eram freqüentes. Em Verceil, houve um grande debate sobre a questão de saber se certas lagartas deveriam ser julgadas pelo tribunal civil, ou pelos tribunais eclesiásticos, porque haviam danificado as vinhas da paróquia (Lessona, 1880, Turim)”. LOMBROSO, César. O Homem Delinqüente, Ricardo Lenz Editor, Porto Alegre, 2001.

2 de agosto de 2009

Frio

O frio voltou, o inter perdeu, e a vida é mesmo isso, por assim dizer. Lutos, canseiras, decepções, esperas. Idas e vindas. E mais perdas que ganhos. Perde-se o que se tem, e ainda o que se pensava ter, bem como vaticina a admoestação bíblica, aos moldes dos castigos e das penas eternas. É saudades também dos mortos que ainda vivem.

Reclames de Antigamente

O Estrangeiro

"A culpa não é minha" - pg. 47.

Edição com prefácio de Sartre que diz:

Certo é que o absurdo não está no homem nem no mundo, se os tomamos separadamente; mas como é o caráter essencial do homem o "estar no mundo", o absurdo é, em suma, unitário com a condição humana.

Ironia...

Encontrado dentro de um livro de Bertrand Russel.

Por assim dizer...

Por assim dizer é não dizer nada, e dizer muita coisa também. Nada contra nem a favor. Antes pelo contrário. Aliás, a mesma coisa acontece com o tal de aliás... Aliás, desde criança essa palavra me intriga profundamente. Coisa de adulto, do que poderia ser de outro modo se não fosse assim.

Reclames de Antigamente

AS CARTAS XXIII


Observações:A história de amor de Francisco e Maria estava tensa nos últimos meses de 1924. Na carta anterior, a do dia 30 de outubro (AS CARTAS XXII), ele implora para que ela volte a lhe escrever. Depois desta data, encontrei ainda estes dois cartões. O menor, perfurado, sugere que tenha acompanhado flores. Clássicas rosas vermelhas? Não sei. O outro cartão, maior, estava em um envelope que nada indica tenha passado pelos Correios. Seriam felicitações pelo aniversário entregues por alguém na casa de Maria? Muito provavelmente, sim, com direito a flores. Francisco demonstrou não ter esquecido a data, e se fez presente, ainda que angustiado, na ausência de notícias de sua amada. De 1924, localizei apenas mais duas cartas. Uma é do dia 7 de novembro e a outra de 15 de dezembro.
Essas cartas são um tesouro literário que ilustra não apenas uma verdadeira história de amor que teve lugar entre dois jovens, mas também como se passou esse amor nos anos 20 em Porto Alegre. Amor vivido por um homem culto, educado, refinado em sua estética e uma mulher que ele mesmo define de maneira adorável através de sua letra pequena, frágil, nervosa, como se fosse a imagem de tua sensibilidade, em extremo desperta, ao alarme das menores impressões.
Quem ainda não conhece o que vêm a ser AS CARTAS, basta procurar nas postagens mais antigas, a explicação disso. Querendo ver tudo, na barra superior, à esquerda, basta digitar na guia "pesquisar no blog" a expressão AS CARTAS e todas as postagens anteriores vão aparecer em ordem mais ou menos cronológica. Há mais cartas, muito mais. E na medida do possível eu vou mostrá-las a vocês aqui no Traças, Ácaros & Cia.

AS CARTAS XXII


Carta de Francisco para Maria de 30 de outubro de 1924.

Maria,
Há tanto tempo, há tanto! Que não me dás a alegria de ler qualquer cousa que mandas, através de tua letra pequenina, frágil, nervosa, tal se fosse a imagem da tua sensibilidade, em extremo desperta, sempre, ao alarme das menores impressões...
Por que não continuaste a escrever-me? Acaso terás o propósito de por, agora, o ponto final na nossa correspondência? Não sei de motivo algum para isso. Se os há, eles se ocultam tão fundo no interior de teu espírito, e nunca vêm à tona para a graça de uma revelação... Minha profunda amiga!...
Ouve: eu exijo uma explicação de teu silêncio. Sabes? Pensa na significação desta exigência. Porque, se não me explicares, eu... eu... implorar-te-ei,de joelhos, o favor acariciante de uma resposta, para o sossego de minha alma.
Do Francisco.

É.

É, sim. As Traças e os ácaros voltaram a aparecer. Quantas coisas postadas aqui! Coisas que eu nem lembrava mais que havia lembrado de escrever. Fragmentos de memórias descosturadas, paginas marcadas, linhas, frases e poeira. Hoje revi até o primeiro dia o que fui trazendo para cá, para este meu canto, um outro armário da minha vida, uma outra prateleira, só que virtual. Esteve fechada, mas agora se abriu novamente, embora de outro jeito. Continua cheia de coisas, menos umas ou outras que eram menos minhas, por assim dizer.