
17 de dezembro de 2008
15 de dezembro de 2008
Intuição
Há uma realidade ao menos que nós percebemos por dentro, por intuição, e não por simples análise. É nossa própria pessoa em seu escoar através do tempo. É nosso eu que dura. Nós podemos não simpatizar intelectualmente ou, antes, espiritualmente, com qualquer outra coisa. Mas nós simpatizamos, seguramente, com nós mesmos.
H. Bergson
H. Bergson
Tardianas
Mas eu acrescento que seria um erro profundo fazer honrar as coletividades, mesmo sob sua forma a mais espiritual do progresso humano. Toda iniciativa fecunda, definitivamente, emana de um pensamento individual, independente e forte; e, para pensar, é necessário isolar-se, não apenas da multidão, – como diz Lamartine, – mas do público. É isto que esquecem os grandes aduladores do povo tomado em massa, e eles não se dão conta da espécie de contradição que está implicada em suas apologias. Porque eles não testemunham, em geral, tanta admiração pelas grandes obras soi-disant anônimas e coletivas, senão para exprimir seu desprezo pelos gênios individuais diferentes do seu. Também é de notar que esses célebres admiradores das unânimes multidões, depreciadores, ao mesmo tempo, de todos os homens em particular, têm sido prodígios de orgulho. Ninguém, mais que Wagner, exceto Victor Hugo, após Chateaubriand talvez e Rousseau, professou a teoria segundo a qual “o povo é a força eficiente da obra de arte” e “o indivíduo isolado nada saberia inventar, mas poderia apenas apropriar-se de uma invenção comum”. Essas admirações coletivas, que não custam nada ao amor próprio de ninguém, são como sátiras impessoais que não ofendem ninguém, porque se endereçam a todo mundo indistintamente.
G. Tarde
G. Tarde
Papel
Papel. Nada mais inspirador. Seja ele alimento de traças, seja ele virtual como estas páginas, a impressão que se tem é de que ainda é o mesmo papel.Florbela Espanca
SEM REMÉDIO
Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.
E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!
Sinto os passos da Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!
E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!...
14 de dezembro de 2008
Reflexões Tardianas
O perigo das novas democracias é a dificuldade crescente, para os homens de pensamento, de escaparem à obsessão da agitação fascinadora. É penoso descer em sino de mergulho num mar muito agitado. As individualidades dirigentes que nossas sociedades contemporâneas põem em relevo são, cada vez mais, os escritores que vivem com elas em contínuo contato; e a ação poderosa que eles exercem, preferível, seguramente, à cegueira das multidões acéfalas, é já um desmentido infligido à teoria das massas criadoras. Mas isso não é bastante, e, como não é suficiente difundir, em toda parte, uma cultura média, e é necessário, antes de tudo, elevar sempre mais alto a alta cultura, podemos, com Sumner Maine, preocuparmo-nos já com a sorte que terão, amanhã, os últimos intelectuais, dos quais os serviços, com longos vencimentos, não surpreendem os olhos. O que preserva as montanhas de serem arrasadas e transformadas em terras cultiváveis, em vinhas ou em alfafa pelas populações montanhesas não é, de modo algum, o sentimento pelos serviços prestados por esses castelos naturais; é, simplesmente, pela solidez de seus picos, pela dureza de sua substância, muito difícil de dinamitar. O que preservará da destruição e do nivelamento democrático as sumidades intelectuais e artísticas da humanidade não será, eu temo, o reconhecimento pelo bem que o mundo lhes deve, a justa estima do preço de suas descobertas. Que será, pois?... Eu quereria acreditar que será sua força de resistência. Cuidado, se vierem a se desagregar!
G. Tarde.
G. Tarde.
Os Reclames de Antigamente
A Conquista do Corpo Ideal
Revista Leoplán
Uma revista literária, magazine argentino. Tenho algumas perdidas por ai. Esta tarde encontrei duas, uma de junho de 1944 e outra de dezembro de 1941.
Por acaso...

Por acaso esse papel de alguns centímetros quadrados estava justamente dentro do livro que trata do acaso e de suas leis, esse aí da postagem abaixo. Se vocês quiserem, podem ampliar a imagem com um clic e deliciar-se com o que presumo seja um vale presente pela eternidade afora.
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