28 de março de 2010
25 de março de 2010
24 de março de 2010
23 de março de 2010
O Amor e o Tempo
Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo dirige, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quando mais a corações de cera! São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem durado pouco, que terem durado muito. São como as linhas, que partem do centro para a circunferência, que quanto mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino; porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza, o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira; embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe os olhos, com que vê o que não via; e faz-lhe crescer as asas, com que voa e foge. A razão natural de toda essa diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor?! O mesmo amar é causa de não amar e o ter amado muito, de amar menos.
VIEIRA, Antonio. Sermões e lugares seletos. Bosquejos histórico-literários, selecção, notas e índices remissivos por Mário Gonçalves Viana. Ed. Educação Nacional, Porto, 1939, p. 242,243.
22 de março de 2010
DESABAFO
Como são chatos os que pretendem ter o controle de seu destino, especialmente depois que o destino aconteceu. Coisa de aquarianos? Sei lá. Talvez seja por uma ingênua arrogância, talvez por simples estupidez, o que se tem sempre são chatos que imaginam dominar o mundo e predeterminar os acontecimentos. Diferentemente dos magos e dos mestres, que estes, sim, têm a desculpa de jamais ocuparem a casinha da razão por mais tempo do que o necessário, os pretensiosos donos de seus destinos costumam disfarçar a soberba e olhar o mundo do ponto de vista de seus impertinentes umbigos. No entanto, a vida os leva do mesmo jeito. Eles, obedientes, vão, imaginando, porém, que elegeram seus rumos. Imagino-os diante do pôr-do-sol, gesticulando suavemente como se regessem a orquestra magistral das nuvens. Fazem-me lembrar daquele mago que se deixou filmar com ares de quem se concentra no ato de levitar pouco antes de subir numa escada rolante. E levitou. Com os dois pés bem plantados na escada, olhos fechados, braços erguidos em direção ao céu. Realmente, uns chatos.
21 de março de 2010
18 de março de 2010
15 de março de 2010
14 de março de 2010
A Sonsa
A gente se cuida muito das sirigaitas, das lambisgóias, das cretinas, das piranhas, das cachorras, das galinhas, das ex, das mulheres fatais, das gostosonas e das gostosinhas, mas a gente se esquece da sonsa, justamente da vaca de presépio!
13 de março de 2010
10 de março de 2010
8 de março de 2010
7 de março de 2010
6 de março de 2010
1 de março de 2010
Segunda-feira
Deixar para depois. Uma hora desmarcada e pronto! Uma hora deliciosamente livre em meio a uma segunda-feira agitada. O tédio seria uma extravagância? Ah! Mas é tão delicioso ter tempo para folhear livros ao acaso e para não fazer nada que preste.


