5 de novembro de 2015

E-mail de 07 de outubro de 2004

Fofo!

Abusando dessa sua virtude enciclopédica, preciso de sua ajuda, se estiver no seu alcance:

Abuse! Abuse! J J J Tá tão bom... J Imagine só: um clássico abusando de minha “virtude”... Isso é mais que cult! É VIP! Seja meu Ricardão da Internet. Ácaro vai, ácaro vem...

1. Sei que gosta do Mantegazza - tem informações dele?

Eu não gosto. Eu amo Mantegazza e tenho muitas de suas obras. Ele foi amigo de Lombroso e isso está na biografia anexa ao Homem Delinqüente. Tem dados no índice remissivo. Na Enciclopédia Brasileira Mérito, volume, 12, pág. 615... ele aparece assim:

Mantegazza, Paulo. Fisiologista e antropologista italiano, nascido em Monza a 31 de outubro de 1831 e morto em S. Terêncio, 28.08.1910. Estudou nas Universidades de Pisa e Milão. Professor de Patologia em Pavia, 1860, aí fundando o primeiro laboratório de patologia em toda Europa. Foi membro do Parlamento, como deputado de 65-76, quando então foi eleito senador. A partir de 1870, lecionou Antropologia em Florença, organizando aí o Museu Antropológico e Etnográfico. Dedicou-se a estudos sobre alimentação humana, eficácia da seleção sexual, atavismo, influência do isolamento geográfico para a produção da espécie humana, antropologia física, etc.

Obs.: ele escreveu sobre coisas muito mais variadas. Sua Fisiologia do Prazer é uma maravilha, sem falar da Fisiologia do Belo, livros sobre o amor, sobre o ano 3.000. Numa foto, ele aparece muito fofo, com um casaco de gola e punhos de pele, bengala, luvas e chapéu, olhar altivo, barba branca... Acho que gostava muito de mulher. Foi um precursor da auto-ajuda: A Arte de Ser Feliz O Elogio da Velhice. Foi um crítico mordaz em O Século Hipócrita — “A mediocridade que deseja o máximo sem poder obtê-lo chama-se hipocrisia. — Na Higiene do Amor, fala dos sacrifícios à Vênus. Tem uma Psicologia Feminina e escreveu sobre Os Caracteres Humanos.Particularmente, adoro seu Livro das Melancolias. Bom saber que ainda existe alguém que se lembre do meu doce Paolo. Seus textos são originalíssimos, contundentes às vezes, suaves, sedutores. Não escreveu para os “notáveis”. Escreveu para os homens, para nós. Francamente, acho que os intelectuais de hoje torceriam seus arrogantes narizes para ele, considerando seu estilo rançoso e démodé. Não iam aturar sua linguagem rebuscada, porque são todos escravos do seu tempo. Rogério, não creio que Mantegazza e sua obra possam ser objeto de uma descrição objetiva. O que ele diz deve ser sentido antes de ser pensado!